também briga.
Domingo de manhã, praticamente de madrugada - oito da manhã de Domingo é madrugada, certo? - a casa em
sossego rebuliço porque acordaram com o rabo virado para a lua. Ele embirra com ela porque não a quer tapada com o cobertor dele, ela embirra com ele porque se quer tapar com o mesmo cobertor que ele. Pai de volta dos pequenos-almoços, mãe tenta fingir que não é nada com ela. De repente, gritos, gemidos de dor meio fingidos meio sentidos e muitos protestos.
A mãe lança o primeiro aviso para se acalmarem. Nada. Continuam naquela luta, porque - e uma mãe que já passou por aí até sabe - até estão a achar piada à coisa mesmo que se estejam a aleijar. A mãe espreita pelo canto do olho e vê o filho a dominar a filha e a tapar-lhe os olhos para ela não ver os bonecos e a filha sem se conseguir soltar. O som dos protestos dela começa a subir e a mãe decide por um ponto final à
brincadeira luta.
- eu vou contar até três e se vocês não param com isso, acabaram-se os bonecos. Um!
O filho larga a filha, a filha tenta iniciar um choro de mimo e a mãe sai apressadamente mas não tão apressadamente que não consiga ouvir da filha:
- oh Miguel, eu posso não ter tanta força como tu tens para me agarrar, mas tenho mais força do que tu para te magoar!
Ai que lindo que é o amor de irmãos... ai que lindo...