nas viagens de carro.
Desta feita é um jogo copiado aos manos Charlie & Lola e podemos nomeá-lo de "Eu fui à Lua".
- Eu fui à Lua e levei um cavalo! - começa ela.
- Eu fui à Luaaaa e levei... pombinhos! - diz ele.
- Não filho tens de dizer tudo: Eu fui à Lua...
- Eu fui à Lua.
- ... e levei um cavalo.
- um cavalo!
- e pombinhos!
- pombinhos!
- Agora sou eu. Eu fui à Lua e levei um cavalo, pombinhos e uma bicicleta! - digo eu.
- Eu fui à Lua e levei um cavalo... ameh... pombinhos, uma bicicleta e...
- Uma mota! - dispara ele.
- Não uma mota não, Miguel! Eu é que tenho de escolher! Vá vou dizer outra vez: Eu fui à Lua e levei um cavalo, pombinhos, uma bicicleta e um passarinho!
- Eu fui à Lua e levei passarinhos... e uma mota!
Experimentem... é animação garantida. :)
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quarta-feira, março 25, 2009
terça-feira, março 17, 2009
As coisas que eles me ensinam...
No carro, eles numa tontice pegada:
- oh meninos, vamos lá a parar com os disparates!
- oh mãeeee! - replica irritado - Não é meninos! A Joana é menina! É menina e menino.
ah.
quarta-feira, março 04, 2009
Ai morder não!
A caminho de mais uma aula de ballet, preciso de parar num multibanco e abastecer a carteira para mais um lanche de bolo-queque-e-bolo-de-arroz-acompanhados-de-sumo-e-de-leite-com-chocolate e para a mensalidade. Páro o carro em segunda fila, mesmo em frente à caixa automática, quatro piscas ligados e o recado: - Nada de tirar o cinto que a mãe vem já! Põe cartão, marca o pin, escolhe a quantia, saca o cartão, saca o dinheiro sem talão e volta para o carro.
- Oh mãe, combinei com o mano que se viesse alguém para nos roubar que gritávamos muito alto...
- Muito alto! - Confirma ele.
- E dávamos pontapés...
- Pontapés!
- E murros com muita força...
- Com força!
- Boa! E mordiam! - Acrescento eu, divertida.
- Ai morder não, mãe! - Como quem diz "passaste-te mãe?!".
- Então, se mordêssemos não conseguíamos gritar!
Tem lógica.
- Oh mãe, combinei com o mano que se viesse alguém para nos roubar que gritávamos muito alto...
- Muito alto! - Confirma ele.
- E dávamos pontapés...
- Pontapés!
- E murros com muita força...
- Com força!
- Boa! E mordiam! - Acrescento eu, divertida.
- Ai morder não, mãe! - Como quem diz "passaste-te mãe?!".
- Então, se mordêssemos não conseguíamos gritar!
Tem lógica.
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Dúvidas existenciais aos cinco anos...
No carro, no final de um dia extenuante, com uma dor de cabeça intermitente (dói muito - dói - dói muito - dói - and so on) e eles sempre a bombar nas perguntas. Oh mãe isto. Oh mãe aquilo. Porquê mãe? Mas porquê? E aqueloutro mãe? Porquê? Até que:
- Oh mãe. Estás a ver? Eu faço tantas coisas. Muitas coisas. O ballet, o piano, a natação. São tantas coisas mãe. São... mene... cinco coisas mãe!
- Não são cinco filha, são três.
- Ah pois, três. Mas são tantas coisas mãe! E eu assim não sei!
- Não sabes o quê filha? - pergunto enquanto peço para dentro que possa ser agora que ela se decide a desistir de alguma e me alivia a agenda, e já agora a carteira, porque genica tem ela de sobra para tudo isto e mais alguma que se junte.
- Porque eu assim não sei o que vou ser, mãe!
- Então?! - Pois não sei se vou ser bailarina, se vou tocar piano ou se nadar. Assim não sei o que vou ser mãe!
- remata em voz dramática como a situação o impõe que ela é despachada e nada como arrumar a história da vocação antes de entrar na escola propriamente dita.
- Mas tens tanto tempo, filha... - isso era o que eu queria, mas o mais certo é piscar os olhos e voilá, ter uma miúda de aparelho nos dentes e ipod nos ouvidos à minha frente.
- Pronto já sei. Já sei o que vou ser. (xiça que ela é rápida. eu só descobri há uns meses atrás...)
- Vou ser mãe! É isso vou ser mãe! (fico na sensação intermitente de pensar que posso entender isto como um elogio ou dizer-lhe que não se meta nisso, ritmada pelo dói - dói muito da dor de cabeça)
- Não! (ai!) - Vou ser mãe e professora! É isso!
- Já decidiste?
- Já!
- Então está bem.
O melhor é começar a tricotar as botinhas.
- Oh mãe. Estás a ver? Eu faço tantas coisas. Muitas coisas. O ballet, o piano, a natação. São tantas coisas mãe. São... mene... cinco coisas mãe!
- Não são cinco filha, são três.
- Ah pois, três. Mas são tantas coisas mãe! E eu assim não sei!
- Não sabes o quê filha? - pergunto enquanto peço para dentro que possa ser agora que ela se decide a desistir de alguma e me alivia a agenda, e já agora a carteira, porque genica tem ela de sobra para tudo isto e mais alguma que se junte.
- Porque eu assim não sei o que vou ser, mãe!
- Então?! - Pois não sei se vou ser bailarina, se vou tocar piano ou se nadar. Assim não sei o que vou ser mãe!
- remata em voz dramática como a situação o impõe que ela é despachada e nada como arrumar a história da vocação antes de entrar na escola propriamente dita.
- Mas tens tanto tempo, filha... - isso era o que eu queria, mas o mais certo é piscar os olhos e voilá, ter uma miúda de aparelho nos dentes e ipod nos ouvidos à minha frente.
- Pronto já sei. Já sei o que vou ser. (xiça que ela é rápida. eu só descobri há uns meses atrás...)
- Vou ser mãe! É isso vou ser mãe! (fico na sensação intermitente de pensar que posso entender isto como um elogio ou dizer-lhe que não se meta nisso, ritmada pelo dói - dói muito da dor de cabeça)
- Não! (ai!) - Vou ser mãe e professora! É isso!
- Já decidiste?
- Já!
- Então está bem.
O melhor é começar a tricotar as botinhas.
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
Força de hábito...
No carro, leva o dedo ao nariz e faz sangue.
- Mãe, dá-me papel que eu tenho sangue no nariz.
- E como é que tu tens sangue no nariz, Joana? - digo ao mesmo tempo que lhe chego o papel.
- Foi com o dedo.
- Mas tu sabes que não se põe o dedo no nariz. É uma porcaria.
- Pois... Amanhã tens de dizer à S. que não posso pôr o dedo no nariz porque sou alérgica.
Manos...
No carro, ao regressarmos a casa, repartimos geralmente o tempo entre conversas sobre o dia e com jogos de que se lembram. O preferido deles é o jogo do silêncio (e confesso que há dias que também é o meu) mas ontem ela quis jogar a um novo:
- É assim, um diz uma coisa e depois todos têm de dizer coisas que existem dentro dessa coisa. Quem não souber diz espaço!
- Espaço?! - interrogo.
- Sim, espaço! Mas só dizes se não souberes!
- Ah, já percebi. Não é "espaço" é "passo"! Dizes "passo".
- Ah "passo". Começo eu. Escola!
- Mesas.
- Cadeiras.
- Livros.
- Amigos.
Depois de não nos lembrarmos mais nada, é a minha vez de escolher "uma coisa":
- Então, eu escolho Casa.
- Manos! - diz ela imediatamente.
Sorri.
quinta-feira, janeiro 22, 2009
Acho que vou deixar de andar de carro...
- Mãe, como é que as vozes saem daí [entenda-se rádio do carro]?
- Então, imagina uma sala fechada. Nessa sala há uma mesa com muitos botões, um computador, um leitor de CD's...
- Mãe, tá frio? - pergunta ele.
- Acho que sim.
- Puque está frio?
- Porque é Inverno, Miguel. - e continuo - Nessa sala também há um microfone...
- Puque é Inverno?
- Já explico Miguel. - e tento continuar - Os senhores que trabalham na rádio escolhem as músicas e falam para esse microfone...
- Um microfone como o meu? - pergunta-me ela.
- O que é aquela estrada?
- ... sim. Esse microfone está ligado por um fio muito comprido a uma antena mesmo gigante. Essa antena transmite para o ar o som que o microfone recebe em forma de ondas...
- Mãeeee! Aquela estrada vai p'ra onde?
- Vai para a escola de outros meninos. Ora essas ondas têm um nome muito esquisito, são as ondas hertzianas!
- Puque os meninos estão nouta escola?
- Porque não cabiam todos na tua. - e tento continuar novamente - Depois as ondas estão espalhadas pelo ar e o nosso rádio através da antena do carro, consegue apanha-las e transforma-las em som novamente.
- Mas de onde é que sai o som?
- Puque não cabem todos mãe? Puquê?
- Porque há muitos meninos Miguel. O som sai pelas colunas, vês esses buraquinhos aí na tua porta. Ai estão uns altifalantes que emitem o som.
- E nós vemos as ondas mãe?
- Quando for quescido posso beber vinho?
- Vemos mãe? E como é que são os botões, mãe? Nós podemos fazer uma rádio mãe?
- Posso mãe? Posso beber vinho?
1.º Tentar arranjar forma da miúda visitar uma rádio;
2.º Comprar uma enciclopédia... Para mim.
Conversas...
No carro:
- Mãe, dá-me água xásxavôr! - pede-me ele.
- Oh Miguel, não é xásxavôr! É se-faz-fafôr! - corrige ela.
- Xás-xa-fôr!
- Nãaao! se-faz-fafôr! diz com a mana, diz lá!
- Se...
- Se!
- Faz...
- Fáx!
- Fafôr!
- Xavôr!
- Oh Joana, olha que também não é fafôr... é fa-vor! - intervenho.
- Pois, fa-fôr! Vês mano? É, se faz fafôr!
- Xásxavôr! (pausa) Dá-me a água!
Um pouco depois:
- Agora sou eu a tirar uma rarafia!
- Olha mãe! Ele também não sabe dizer stugrafia!
terça-feira, janeiro 20, 2009
Dele...
Ontem à noite, enquanto fazia xixi:
- Mãe olha! A minha pilinha é grande! Ihhhh!
Hoje, no carro, à porta da escola:
- Deixa só ver se estou lindo. - avança até ao banco da frente, destapa o espelho de cortesia, e conclui: - Hum... Estou lindo! Vamos!
domingo, novembro 16, 2008
A voltar de casa de família...
vamos no carro a jogar o jogo do som dos animais. Quando pedem para imitarmos o orangotango, o pai diz-lhes:
- Olhem ali o Jardim Zoológico. Ali há muitos animais.
- E até há um orangotango! - Acrescento.
- Coitado... - Suspira ela. - Ali preso sem poder sair.
segunda-feira, julho 28, 2008
Filosofando...
No carro:
- mãe, quando estamos acordados estamos a sonhar?
- sim, podemos sonhar acordados.
(pausa)
- mãe, o mundo é todo um sonho?
[e uma pergunta destas, pouco tempo depois de ter lido isto, acaba com qualquer hipótese de uma resposta imediata]
terça-feira, abril 29, 2008
No carro...
- mãe, o que é a Internet?!
[e eu que faço dela a minha ferramenta de trabalho, bebi uns pirolitos à procura da explicação]
sexta-feira, março 07, 2008
Há dias...
que me parece um crime trazê-la da escola. Observo-a às escondidas nas suas brincadeiras. Os risos soltos, o faz-de-conta tão real para eles. Perco-me a devorar-lhes as gargalhadas. Demoro a deixá-la descobrir-me.
Hoje custou-me interromper-lhe os risos. Custou-me cada explicação pedida por cada menina que brincava com ela. Custou-me negar-lhe todos os só mais um bocadinho encenando uma pose irredutível.
No carro, poucos metros depois, estranho o silêncio e espreito-a pelo retrovisor. Dormia com um sorriso de orelha a orelha.
Aposto que encontrou uma maneira de continuar com a brincadeira.
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
No carro...
Hoje de manhã, passou por nós um camião com um casa pré-fabricada.
- oh! olha ali aquela casa! está em cima de um camião! não sabia que podíamos levar as casas de um lado para o outro! tu sabias, Joana? - pergunto-lhe em tom de gozo.
- não! - exclama espantada.
- será que também podem levar a nossa?!
- oh mãe, claro que não! Nós temos cães!
ah ok!
domingo, fevereiro 10, 2008
Hoje...

levei o meu neto a passear e foi o único que não adormeceu no carro.
[e finalmente uma cadeirinha que cabe facilmente entre as dos dois :p]
quinta-feira, janeiro 17, 2008
No carro...
a jogarmos um jogo chato, chato, chato, em que ela queria que repetíssemos em loop as palavras que ela escolheu:
- desculpa, mas já não quero jogar a isso. escolhe outro jogo.
- não, quero jogar a este. diz "sim" mãe!
- não!
- diz, mãe. joga comigo.
- não.
- olha, eu não gosto de ti.
- não faz mal, eu gosto de ti na mesma.
- mas olha que eu só gosto do pai! - em tom de ameaça.
- não me importo. eu gosto de ti na mesma, mesmo quando estou zangada contigo e quando tu não gostas de mim.
- mas olha que eu só gosto do pai, do mano e dos avós! - avisa.
- não faz mal.
(pausa)
- isso assim não vale...
quarta-feira, janeiro 09, 2008
No carro...
a jogarmos um dos jogos habituais:
- não tem patas, é verde, vive nos lagos, é muuuuuuuito comprido e tem uma boca muito grande. qual é mãe?
Depois de várias tentativas falhadas da minha parte, admito a derrota:
- não faço ideia Joana. desisto, qual é?
- é o crocodilo!!!
- mas os crocodilos têm patas Joana!
- ah... mas este que eu disse não tem mãe! este é especial!
- não tem patas, é verde, vive nos lagos, é muuuuuuuito comprido e tem uma boca muito grande. qual é mãe?
Depois de várias tentativas falhadas da minha parte, admito a derrota:
- não faço ideia Joana. desisto, qual é?
- é o crocodilo!!!
- mas os crocodilos têm patas Joana!
- ah... mas este que eu disse não tem mãe! este é especial!
terça-feira, janeiro 08, 2008
A minha filha é uma querida...
No carro:
- mãe, quando é que eu fico crescida?
- todos os dias ficas mais crescida. tens é de comer sempre tudo e sopa, para poderes crescer muito.
- não! quando é que eu fico assim muito crescida como tu?
- então, comes sempre tudo e depois vais crescendo, crescendo, e sem dares por isso, um dia ficas do meu tamanho.
- quantos anos tens mãe?
- 32.
- 32? iiiihhhh - em tom chocado - isso são muitos anos, mãe!
[e desata a contar até 32 para me provar que 32 é realmente muito]
sexta-feira, janeiro 04, 2008
Perguntas rápidas para respostas difíceis
No carro, no regresso da escola:
- olha Joana, a "fábrica das nuvens"!
- está a fazer nuvens! como é que ela faz as nuvens mãe?
(ooopsss)
- sabes na verdade esta fábrica que dizes que faz nuvens, não faz mesmo nuvens. Aquilo que sai da chaminé é fumo. As nuvens formam-se com as gotinhas de água que sobem para o céu e que se juntam todas na forma de nuvem.
- ahh.
(pausa)
- no céu há muitos senhores e senhoras. a tua mãe está no céu. porquê é que a tua mãe morreu?
- porque estava muito doente e os médicos não a conseguiram curar.
- mãe, as pessoas todas morrem?
- sim filha, todas as pessoas morrem.
- tu também vais morrer?
- sim filha, um dia também vou morrer. mas só quando for muito velhinha espero eu.
- e eu também vou morrer mãe?
(glup)
- sim, tu também vais morrer.
- mãe em que dia é que eu vou morrer?
(glup)
- só quando fores muito velhinha, muito velhinha.
- quando formos muito velhinhas e morrermos, podemos ir para a mesma nuvem mãe?
(mega-glup)
- sim, filha. Quando formos muito velhinhas e morrermos vamos para a mesma nuvem.
(pausa)
- as pessoas quando morrem ficam sempre assim?
- assim como?
- com cara, com olhos, com roupa...
- sim filha.
- mas não ficam com esqueleto. ficam só por fora, não é?
- não, as pessoas quando morrem ficam com tudo.
(pausa)
- mas como é que as pessoas vão para o céu? como é que elas sobem mãe? explica-me tudo.
(glup)
- sabes, na verdade as pessoas não vão mesmo para o céu. Ir para o céu é uma maneira de dizer, porque quando as pessoas morrem, são enterradas na terra, onde se vão transformando e servindo de comidinha para uns animais muito pequeninos e as árvores e as flores.
- ficam na terra?
- sim.
- e servem de comidinha?
- sim.
- e a tua mãe vai ser comida?
- sim filha, ela está a servir de comidinha para que as árvores ao pé dela cresçam muito muito.
(já a chegar ao pé da padaria)
- então não estão nas nuvens?
- não filha. olha a mãe agora vai ali buscar pãozinho e já volto está bem?
A cada pergunta que ela fazia mais eu me sentia num buraco sem fim, mas ao mesmo tempo feliz por estar a desconstruir algumas "ilusões" que tiveram a sua utilidade até agora, mas que algum dia teriam de ser devidamente explicadas.
sexta-feira, dezembro 21, 2007
Tento na língua, mãezinha...
Ontem, no carro, um simpático condutor faz uma série de asneiras umas atrás das outras e quase que me faz perder a saída, só para o evitar. Não consigo conter uma interjeição proibida:
- Olha-me este estúpido!
Frase proferida e, de repente, soam os meus sininhos de alarme: Fizeste asneira! Fizeste asneira! Fizeste asneira! Antes de ter tempo de tentar corrigir, qualquer coisas, ouço:
- Oh mãeeee! - num tom de desaprovação.
Pronto, estou tramada, estes miúdos não deixam escapar nada. É então que ela acaba a frase num tom de quem explica o óbvio:
- Se dizes estúpido, tens de apitar!
Vou ali auto-flagelar-me um bocadinho e já volto, ok?!
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