terça-feira, abril 08, 2008
Os sorrisos que ela me arranca...
No sábado, enquanto eu despachava alguma da roupa e depois de tentar que ela fosse brincar lá para fora sem sucesso, ela entretinha -se a fazer os seus trabalhos de casa. Ora desenhava cincos iguais a esses e quatro esguios e magros, ora fazia bolas à roda dos mais altos ou dos mais baixos consoante mandava o enunciado que eu lhe lia a seu pedido.
- Estou a fazer trabalhos como a Susana, não é mãe? Eu já sou uma crescida, não é?
E eu apetecia-me dizer-lhe que ela nem sabe a sorte que tem por não ainda não ter trabalhos como a Susana. Que quando entrar na escola a sério nunca mais vai ser dona do seu tempo como é agora. Que devia era estar neste momento a por o quarto em pantanas ou a rebolar na relva e não estar ali sentada tão direitinha na secretária de roda dos livros e dos lápis de cor. Eu que a devia ter arrastado dali para fora com um brinca filha, brinca! digo: É filha, estás a ficar muito crescida.
E é então que chega ao exercício que pede para ligar uns cones de gelado a uns meninos e saber se os gelados chegam para todos ou não. Sete meninos a salivar e cinco cones de três bolas.
- oh mãe, não há gelados para os meninos todos!
- pois não, por isso vais ter de os ligar e dizer quantos meninos ficam sem gelado.
E vejo-a a ligar os gelados aos meninos. Um gelado, um menino. Outro gelado, outro menino. Mais um gelado, mais um menino. Ao quarto gelado, dois riscos para dois meninos. No quinto, mais dois meninos. E eis que ela me mostra a página entusiasmada:
- vês mãe, assim todos os meninos têm gelados e nenhum fica triste!
Há lições que (simplesmente) não se aprendem nos livros.
Hoje à saída do trabalho...

enquanto tentava saltar por cima das poças que se formavam no passeio e afastar-me o suficiente da berma para não levar um banho de água suja, pensava com os meus botões que afinal até gostava de não ter de andar a conduzir naquela zona em dias de chuva.
São as filas intermináveis, o pessoal irritado e pronto a buzinar ao primeiro que não arranque em .087 segundos após o da frente o ter feito, os derrapanços que às vezes resultam em toques da treta que provocam ainda mais filas e mais gente irritada.
Penso com os meus botões, enquanto me abrigo debaixo do chapéu que rapinei lá do gabinete, que é muito bom deixar-me ir, mesmo com os encontrões e afins, em autocarros mais ou menos cheios de pessoas, mais ou menos bem-dispostas, e não me ter de preocupar com o pára-arranca-pára-PÁRA! guardando essa chatice para os motoristas que fazem disso o seu ganha-pão.
Eis que chega então o autocarro e arranca-me para a realidade. A porta abre e a fila avança. Um por um, qual ovelha seguindo o rebanho, vão entrando todos os que me precediam na espera dentro do bicho, até chegar a vez da senhora à minha frente, senhora bem-posta e conhecedora do que está in, com postura elegante e sapatos que destoam com o chão de tão limpos que estavam. Avança segura em direcção da porta e, num movimento fluído, sobe o primeiro degrau baixando o chapéu-de-chuva e deixando perceber a intenção de o fechar. Eu avanço e quando me preparo para entrar, a senhora abre e fecha o chapéu, uma, duas vezes para sacudir a água, pensando talvez em poupar o chão já bastante enlameado de mais umas pingas sorrateiras. Abre e fecha, abre e fecha, mesmo na minha cara.
Retirei logo ali o meu pensamento sobre o bom que é andar de autocarro em dias de chuva. Mesmo.
segunda-feira, abril 07, 2008
Descobertas...
Ele
descobriu que existe uma coisa chamada escola e agora despede-se de mochila às costas com um xau vou pá escóua! Delira por ir buscar a irmã, mas não são as saudades que o motivam. Arrancá-lo daquele recreio e dos amigos que faz num ápice, é uma verdadeira tarefa hercúlea.
Ela
descobriu que o telefone também lhe permite falar com as amigas. Os números já estão em speed dial e assistimos a autênticas estafetas de combinações sobre o que vão levar vestido à festa da C. enquanto se pavoneia pela casa ou desenha os modelitos numa folha de papel, e, trocas de opiniões sobre os bonecos que estão a ver na televisão após ordenarem às mães respectivas que sintonizem os aparelhos numa sincronia desenhada.
sexta-feira, abril 04, 2008
Ontem...
não houve quem conseguisse separar as duas amigas, por isso a I. veio connosco depois de duas horas de brincadeira no parque. Nem a falta das suas companheiras nocturnas a demoveram e ela portou-se à altura da sua decisão. Foram compras com duas meninas, que se auto-intitulavam irmãs para quem as quisesse ouvir. Foram banhos a três. Foram jantares a 3+2. Um fim-de-dia perfeito e um início de outro tão normal como os demais.
Hoje, íam que nem gémeas siamesas. Felizes, delirantes... e de perna ao leú!

Odeio rotinas, e estas quebras sabem-me lindamente!
Hoje, íam que nem gémeas siamesas. Felizes, delirantes... e de perna ao leú!

Odeio rotinas, e estas quebras sabem-me lindamente!
quinta-feira, abril 03, 2008
Quentes e boas...
Enfiou a mãozita dentro do meu bolso das calças e andava a modos que a reboque.
- quem é que está agarrado a mim, quem é? - perguntava, repetidamente, fingindo que não o via, virando-me e andando de um lado para outro.
- éi eue!
Pouco depois, decide ir ter com a mana e enquanto se afasta e acena meio de lado, despede-se com um:
- xau! até lólo!
(delicioso)
quarta-feira, abril 02, 2008
Eu julgava que era o cansaço...
o culpado solitário pelos meus achaques de memória. Que o ter saído cinco paragens depois era apenas culpa das horas devidas ao sono. Que o ter gasto uma viagem do 7 Colinas ostentando, prosaicamente, o passe válido na outra mão, era justificado apenas por neurónios condenados a trabalhos forçados.
Mas depois destes dias, que desculpa tenho eu para ter deixado esquecido no hotel, condenado à traseira de uma mesinha-de-cabeceira, o carregador do telemóvel? A quê é que posso atribuir as culpas de ver o autocarro chegar à minha paragem, e deixar-me estar sentadinha enquanto assisto à corrida de formiguinha atrasada de quem desce os degraus em direcção a mais uma jornada forçada, aspirando as férias de Agosto e as idas em bando às praias da linha?
Já não é defeito, é feitio. Uma falha crónica e irrecuperável nos meus circuitos integrados.
Mas pela via das dúvidas, o melhor é planear outra escapadela (desta vez a quatro, que tão cedo eles não se vêem livres de mim) para ver se alívio os sintomas.
E...
os abraços apertados e repetidos, decorados com sorrisos e olhos brilhantes?
Os mina mãeeeee! e meuuuu pai! emocionados e felizes. O contar das novidades e o também tive saudades tuas!.
A pressa em nos correrem para os braços e a nossa pressa maior de os ver mergulhar neles?
O cheiro. Que saudades do cheiro.
E o que eles cresceram?! Cresceram pois! Juro! A roupa deve ter crescido com eles, porque estás-lhes igual, mas só podem ter crescido, que os fazia mais pequeninos. Menino e menina de colo ainda.
E as duas horas que gastámos ontem no parque? A ignorar tudo o que são rotinas de fim-de-dia e jantar por arranjar. Que importa se não há pão e se quando chegarmos não dá tempo para mais que preparar umas salsichas por já serem horas de dormir e não de comer. Que importa se há as roupas por organizar, se o dia está lindo e podemos correr atrás dos pombos, andar de escorrega e jogar à bola com tantos meninos.
Que importa tudo o resto se estamos novamente juntos? Que importa tudo o resto se os posso ouvir gargalhar, devorar os refegos com cócegas e sorver o brilho dos seus olhos.
Não importa nada. Nada mesmo. Mas o melhor, é perceber que para eles também não.
Tão bom.
terça-feira, abril 01, 2008
Estes dias...
foram dias de meter água a torto e a direito.
Metemos água nos duches Escocês, Vichy e de vapor. Metemos água na piscina aquecida a 36ºC. Nas hidromassagens e massagens subaquáticas. Até no ginásio era ver a água saltar do corpo para fora. E na sauna.
Depois foi o sacrifício das massagens ao corpo e ao rosto, que se metiam água não vi mas faz de conta. As de relaxamento e as de tonificação. As que nos deixam moles que nem esparguete e as que nos deixam doridas zonas do corpo até à data ignoradas.
E o comer e beber? Rendi-me aos tintos e fiquei fã dos D.O.C da Bairrada. Provei verdadeiras iguarias que justificavam as calorias queimadas durante o dia.
A simpatia dos populares. As paisagens lindas, lindas. O Buçaco. Ai o Buçaco.
O livro que li de enfiada, enquanto ele fazia as suas sestas recuperadoras (cada um com as suas preferências). O silêncio. Eu e ele. E o que dormi.
Ai as termas são para velhos? Então, eu considero-me reformada!
Metemos água nos duches Escocês, Vichy e de vapor. Metemos água na piscina aquecida a 36ºC. Nas hidromassagens e massagens subaquáticas. Até no ginásio era ver a água saltar do corpo para fora. E na sauna.
Depois foi o sacrifício das massagens ao corpo e ao rosto, que se metiam água não vi mas faz de conta. As de relaxamento e as de tonificação. As que nos deixam moles que nem esparguete e as que nos deixam doridas zonas do corpo até à data ignoradas.
E o comer e beber? Rendi-me aos tintos e fiquei fã dos D.O.C da Bairrada. Provei verdadeiras iguarias que justificavam as calorias queimadas durante o dia.
A simpatia dos populares. As paisagens lindas, lindas. O Buçaco. Ai o Buçaco.
O livro que li de enfiada, enquanto ele fazia as suas sestas recuperadoras (cada um com as suas preferências). O silêncio. Eu e ele. E o que dormi.
Ai as termas são para velhos? Então, eu considero-me reformada!
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Ela trepa e trepa e trepa e trepa...
Ele corre e corre e corre e corre...
enquanto eles dormem, eu mato saudades e afundo-me nas fotos...