quinta-feira, fevereiro 09, 2012
No que dá ter uma mãe idiota*...
Precisávamos de uma solução temporária para o duche deles, já que não podemos montar ainda a cabine que está comprada e à espera de ser instalada. Por isso numa das idas ao hiper, e com oito euros comprámos um varão extensível e uma cortina de banho básica et voilá, o problema ficou resolvido e a wc cheia de cor.
Mas as argolas brancas de plástico simplesmente pareciam-me demasiado feias e não me deixavam satisfeita mesmo sendo de caráter temporário. Vai daí, peguei numas sobras de papel autocolante que uso para fazer as labels dos meus DVD's de fotografia, procuro nas canetas dela as cores que estão a ser usadas na wc, pinto freneticamente riscas nas bordas do papel, e com o furador faço furos que nem uma louca.
Depois de ter pintado e furado, pintado e furado, pintado e furado num loop prolongado, venho a descobrir que o desafio maior era a missão que se seguia: conseguir descolar o papel autocolante do papel de proteção. No entanto, nos casos em que saí eu vencedora, tive direito a colar bolinha mínima com a ciência do meio ao calhas, meio com regra na argola que outrora era tão sem graça.
Podem não ter deixado de ser feias, mas digamos que ficaram com muito mais pinta :)
+ idiota = pessoa cheia de boas ideias, claro está :p
terça-feira, fevereiro 07, 2012
Minha rica filha... (ou talvez não)
- Mãe, a receita das bolachas que fazemos como é que se chama?
- Bolachas dos Costinhas - respondo em tom de gozo.
- A sério, mãe? Estás a falar a sério? Foste tu mesmo que inventaste?!
- Não filha, adaptei um bocadinho, mas não é minha.
- Ah, então é um bocadinho tua se mudaste...
(pausa)
- mãe, podes escrever a receita das bolachinhas para levar aos meus amigos que me pediram? são quatro. mas também podes só escrever uma e depois tirar fotocópias. ou escrever no computador e imprimir quatro folhas...
Eu, a saber que mais gente também já me havia pedido, digo-lhe:
- claro, mas por isso é que queria tirar-vos fotos a fazer as bolachas para ilustrar a receita e ficar mais gira!
- oh mãe! deixa-te disso! não foi assim um sucesso tão grande! foram só quatro que pediram, mãe!
- Bolachas dos Costinhas - respondo em tom de gozo.
- A sério, mãe? Estás a falar a sério? Foste tu mesmo que inventaste?!
- Não filha, adaptei um bocadinho, mas não é minha.
- Ah, então é um bocadinho tua se mudaste...
(pausa)
- mãe, podes escrever a receita das bolachinhas para levar aos meus amigos que me pediram? são quatro. mas também podes só escrever uma e depois tirar fotocópias. ou escrever no computador e imprimir quatro folhas...
Eu, a saber que mais gente também já me havia pedido, digo-lhe:
- claro, mas por isso é que queria tirar-vos fotos a fazer as bolachas para ilustrar a receita e ficar mais gira!
- oh mãe! deixa-te disso! não foi assim um sucesso tão grande! foram só quatro que pediram, mãe!
Saí agora do trabalho...
E estou à espera que o metro chegue para fazer a meia dúzia de estações que me separam do carro. Depois caminharei até ele atravessando um bairro que vive na escuridão para depois ir buscar os miúdos às respetivas aulas de música.
O pai foi quem os deixou lá e entretanto já foi para casa adiantar o jantar. É por isso um dia bom, pois significa que vamos poder comer cedo e fazer rotina toda com mais calma.
No entanto, enquanto caminhava para o metro e agora que me preparo para entrar na carruagem, só penso o quanto hoje me apetecia não ser responsável por ninguém e ir dar uma volta, ver umas montras, andar um bocado sem pressas, tirar ideias, respirar fundo depois de mais um dia intenso.
Apetecia-me mesmo.
Mas já entrei no metro e à minha espera tenho duas criaturas que também estão desejosas de um bocadinho de "nada para fazer".
O pai foi quem os deixou lá e entretanto já foi para casa adiantar o jantar. É por isso um dia bom, pois significa que vamos poder comer cedo e fazer rotina toda com mais calma.
No entanto, enquanto caminhava para o metro e agora que me preparo para entrar na carruagem, só penso o quanto hoje me apetecia não ser responsável por ninguém e ir dar uma volta, ver umas montras, andar um bocado sem pressas, tirar ideias, respirar fundo depois de mais um dia intenso.
Apetecia-me mesmo.
Mas já entrei no metro e à minha espera tenho duas criaturas que também estão desejosas de um bocadinho de "nada para fazer".
segunda-feira, fevereiro 06, 2012
S. José...
Confesso que o hospital de São José é um hospital que me mexe um bocado com as emoções. Foi para lá que fui levada de urgência quando durante recreio de um dos primeiros dias de aulas me empurraram e estatelei a cara numa garrafa de Sumol partida. Foi para lá que caminhei durante muitos anos para as consultas de maxilofacial e plástica de forma a melhorarem o aspeto da cicatriz com que fiquei. E foi lá que vi a cara do meu irmão pela última vez.
Este fim-de-semana tive de lá voltar. No sábado, fui mordida por uma cadela minúscula (para a minha escala de tamanhos de cães) na boca e fiquei com o lábio inferior perfurado de um lado ao outro fora outros arranhões de pouca importância. Estava tudo na boa, a cadela - uma Beagle de 8 meses - ia lá passar o fim-de-semana connosco para ver se se habituava a nós e ao Rufus, pois os donos não podem ficar com ela e andam aflitos à procura de um lar que a acolha e a estime. Depois de ver tanta gente a querer e a desistir logo a seguir, a história falou-me ao coração e lá foi ela à experiência.
O Miguel que tem medo de cães pequenos porque são mais nervosos e andam mais à nossa volta (comparativamente à realidade que ele conhece, lá está) ficou logo muito apreensivo assim que ela entrou. A certa altura, estamos todos juntos num quarto, ela apanha um peluche dos miúdos e eu baixo-me para lho tirar. Ela rosna-me logo. Eu, sem largar o boneco digo "então, estás a ros..." mas nem acabei a frase, porque ela atirou-se logo.
A seguir foi manter a calma pelo bem de todos, estancar a hemorragia, telefonar ao Saúde 24 e seguir para o hospital onde fui imediatamente atendida e de forma excecional (o único tempo de espera foi cerca de meia-hora para que o cirurgião de maxilofacial terminasse a cirurgia e viesse dar a sua opinião).
E o que eu vi nessa meia-hora de espera? Dezenas de pessoas que tiveram de se deslocar a uma urgência de um hospital por uma simples gripe ou dor de barriga porque já não há atendimento prolongado nos centros de saúde, e assim, consegue-se entupir ainda mais um serviço já por si congestionado e fazem estes utentes gastar umas horas valentes, contaminar os que não estavam engripados e pagar 20 euros ao contrário dos cerca de 3 euros que se pagava nestas urgências.
Quanto à minha mordidela, com antibiótico e os cuidados certos há-de passar sem deixar grandes marcas (vantagem de ter sido nos lábios) mas o que vai realmente demorar a curar é o medo que já roça o pânico que o Miguel tem aos cães pequenos.
Este fim-de-semana tive de lá voltar. No sábado, fui mordida por uma cadela minúscula (para a minha escala de tamanhos de cães) na boca e fiquei com o lábio inferior perfurado de um lado ao outro fora outros arranhões de pouca importância. Estava tudo na boa, a cadela - uma Beagle de 8 meses - ia lá passar o fim-de-semana connosco para ver se se habituava a nós e ao Rufus, pois os donos não podem ficar com ela e andam aflitos à procura de um lar que a acolha e a estime. Depois de ver tanta gente a querer e a desistir logo a seguir, a história falou-me ao coração e lá foi ela à experiência.
O Miguel que tem medo de cães pequenos porque são mais nervosos e andam mais à nossa volta (comparativamente à realidade que ele conhece, lá está) ficou logo muito apreensivo assim que ela entrou. A certa altura, estamos todos juntos num quarto, ela apanha um peluche dos miúdos e eu baixo-me para lho tirar. Ela rosna-me logo. Eu, sem largar o boneco digo "então, estás a ros..." mas nem acabei a frase, porque ela atirou-se logo.
A seguir foi manter a calma pelo bem de todos, estancar a hemorragia, telefonar ao Saúde 24 e seguir para o hospital onde fui imediatamente atendida e de forma excecional (o único tempo de espera foi cerca de meia-hora para que o cirurgião de maxilofacial terminasse a cirurgia e viesse dar a sua opinião).
E o que eu vi nessa meia-hora de espera? Dezenas de pessoas que tiveram de se deslocar a uma urgência de um hospital por uma simples gripe ou dor de barriga porque já não há atendimento prolongado nos centros de saúde, e assim, consegue-se entupir ainda mais um serviço já por si congestionado e fazem estes utentes gastar umas horas valentes, contaminar os que não estavam engripados e pagar 20 euros ao contrário dos cerca de 3 euros que se pagava nestas urgências.
Quanto à minha mordidela, com antibiótico e os cuidados certos há-de passar sem deixar grandes marcas (vantagem de ter sido nos lábios) mas o que vai realmente demorar a curar é o medo que já roça o pânico que o Miguel tem aos cães pequenos.
sexta-feira, fevereiro 03, 2012
Grão a grão...
No carro:
- mãe, decidi que vou fazer uma caixinha para juntar o dinheiro para uma coisa que quero muito.
- boa filha, acho bem!
- eu também vou! - aproveita logo ele - vou juntar para comprar um ipad!
Coméqué?!
[cá em casa não temos e não faço ideia de onde é que ele possa já ter estado ao pé de um... não podia manter-se nos gormitis e scan2go e afins, não?!]
[enquanto isso ela suspira uma mala "color me mine" há tanto tempo que já lhe perdi a conta.]
- mãe, decidi que vou fazer uma caixinha para juntar o dinheiro para uma coisa que quero muito.
- boa filha, acho bem!
- eu também vou! - aproveita logo ele - vou juntar para comprar um ipad!
Coméqué?!
[cá em casa não temos e não faço ideia de onde é que ele possa já ter estado ao pé de um... não podia manter-se nos gormitis e scan2go e afins, não?!]
[enquanto isso ela suspira uma mala "color me mine" há tanto tempo que já lhe perdi a conta.]
Qual é a coisa, qual é ela...
que acorda uma hora mais cedo que o habitual, despacha-se com um bom humor do catano e um desembaraço (é a palavra do dia) fabuloso, que fica pronto muito mais cedo que o normal, que sai de casa também muito mais cedo que o normal e que entre a porta da rua e a porta do carro consegue fazer uma birra que nos faz sair mais tarde que o habitual?!
[oh. paciência. de. santo.]
[oh. paciência. de. santo.]
quinta-feira, fevereiro 02, 2012
Coméqué?!
No carro:
- mãe, diz lá. as vacas é mugir, o porco é roncar, o cão é ladrar, o gato é miar e o macaco? diz, como é o macaco!?
- oh pá! sei lá... chiar?!
- guinchar, será?! - acrescenta o pai.
- e o golfinho, é o quê?
- o golfinho?! não faço ideia!
- oh pá! mas vocês não sabem nada de nada?! eu preciso mesmo de saber como é que faz o macaco!
[o macaco é guinchar, agora o golfinho...]
- mãe, diz lá. as vacas é mugir, o porco é roncar, o cão é ladrar, o gato é miar e o macaco? diz, como é o macaco!?
- oh pá! sei lá... chiar?!
- guinchar, será?! - acrescenta o pai.
- e o golfinho, é o quê?
- o golfinho?! não faço ideia!
- oh pá! mas vocês não sabem nada de nada?! eu preciso mesmo de saber como é que faz o macaco!
[o macaco é guinchar, agora o golfinho...]
A miúda às vezes não bate bem...
Em dias de testes costumo ser eu a levá-la à escola para lhe fazer durante o percurso umas quantas perguntas, muito idiotas e de preferência que nos ponham a rir, relacionadas com a matéria em causa e de forma a poder ajudá-la em alguma branca de última hora, que a relaxem e que contextualizem na prática o que ela tem de saber.
No entanto, nos dias de teste de matemática tenho-me limitado a dizer toma atenção! lê bem o que escreves! quando terminares relê e vê lá se alguma resposta não tem sentido! e sigo para a brincadeira.
Ontem foi dia de teste de matemática e quando lhe pergunto se ainda tinha alguma dúvida e ela diz que sim, pensei: eh lá? tens? então diz lá! A dúvida era sobre subtração de números negativos. Já tinha apanhado a adição, mas estava-se a baralhar com o sinal de menos nas subtrações.
- mas tu estás a aprender números negativos?
- não! mas à hora do almoço eu e o Guilherme fazemos destes jogos de perguntas e começámos a fazer contas com números negativos.
- e a professora sabe disso, já lhe disseram?
- não! achas!? é só para nos divertirmos!
Choque à parte, ajudei-a na dúvida e deixei-a à porta da escola com um toma atenção! lê bem as respostas! extra, que a miúda quando entra no mundo da lua não há quem a tire de lá.
À noite quando a vou buscar, faço a pergunta típica: então correu bem? e a resposta não podia ser a menos esperada para o teste em questão:
- olha, não respondi de forma completa - adoro esta designação que eles usam - a uma pergunta.
- então?! não conseguiste resolver?!
- não! consegui. mas a resposta não fazia sentido e tu disseste que as respostas tinham de fazer sentido.
- e o que é que não fazia sentido?
- então aquilo era um problema sobre bolos. havia uns meninos a vender bolos na escola, e venderam uns quantos de manhã e outros à tarde. a pergunta era indicar quantos bolos teriam os meninos à venda ao final do dia. mas é parvo, mãe, não faz sentido. ora se é ao final do dia, é claro que não podiam lá estar os meninos logo não podiam vender bolos nenhuns!
E agora digam-me lá, o que é que se responde a isto?!
No entanto, nos dias de teste de matemática tenho-me limitado a dizer toma atenção! lê bem o que escreves! quando terminares relê e vê lá se alguma resposta não tem sentido! e sigo para a brincadeira.
Ontem foi dia de teste de matemática e quando lhe pergunto se ainda tinha alguma dúvida e ela diz que sim, pensei: eh lá? tens? então diz lá! A dúvida era sobre subtração de números negativos. Já tinha apanhado a adição, mas estava-se a baralhar com o sinal de menos nas subtrações.
- mas tu estás a aprender números negativos?
- não! mas à hora do almoço eu e o Guilherme fazemos destes jogos de perguntas e começámos a fazer contas com números negativos.
- e a professora sabe disso, já lhe disseram?
- não! achas!? é só para nos divertirmos!
Choque à parte, ajudei-a na dúvida e deixei-a à porta da escola com um toma atenção! lê bem as respostas! extra, que a miúda quando entra no mundo da lua não há quem a tire de lá.
À noite quando a vou buscar, faço a pergunta típica: então correu bem? e a resposta não podia ser a menos esperada para o teste em questão:
- olha, não respondi de forma completa - adoro esta designação que eles usam - a uma pergunta.
- então?! não conseguiste resolver?!
- não! consegui. mas a resposta não fazia sentido e tu disseste que as respostas tinham de fazer sentido.
- e o que é que não fazia sentido?
- então aquilo era um problema sobre bolos. havia uns meninos a vender bolos na escola, e venderam uns quantos de manhã e outros à tarde. a pergunta era indicar quantos bolos teriam os meninos à venda ao final do dia. mas é parvo, mãe, não faz sentido. ora se é ao final do dia, é claro que não podiam lá estar os meninos logo não podiam vender bolos nenhuns!
E agora digam-me lá, o que é que se responde a isto?!
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