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terça-feira, junho 26, 2012

Conversas com ele...

No carro com o pai. Na rádio passa a música The roof is on fire e o pai explica que é por causa desta música que o Rufus se chama Rufus. Às tantas, entra o refrão:

We don't need no water let the motherfucker burn
Burn motherfucker burn


pelo que ele:

- aahh, esta música fala sobre a família!!!



claro que sim.

quinta-feira, maio 31, 2012

Como ser pior que as crianças...

O meu carro estava imundo. Ok, imundo é eufemismo, estava porco mesmo e a precisar urgentemente de uma intervenção de especialistas.

Assim, na sexta-feira passada quando peguei na minha miúda e raptei a sua melhor amiga - raptada com o consentimento da sua mãe, claro está - para uma noite de miúdas depois do ballet, enquanto nós invadíamos a Sephora a experimentar maquilhagem e perfumes, e, abancávamos na Bertrand e FNAC (que mesmo as noites de gajas têm o seu lado cultural) a folhear livros do Gerónimo Stilton e de Uma Aventura, entreguei o carro a uma daquelas empresas de lavagem automóvel dos parques dos centros comerciais (mesmo que me faça alguma confusão aquelas pessoas trabalharem naquele ambiente que não deve ser nada recomendável para se estar muito tempo).

Quando cheguei para o ir buscar nem o reconheci. Brilhante por dentro e por fora, e, cheiroso. Tão cheiroso que nem colei o "pega-cheiro" de morango que comprei no balcão da dita.

É claro que nessa noite e no dia seguinte ouve logo discurso sobre o importante que era todos estimarmos aquela limpeza e blá blá blá, dirigida especialmente aos seres com menos de um metro e meio.

Discurso feito. Espirito de inspetora nas entradas e saídas da viatura. Tolerância zero para brinquedos e lixos esquecidos. Tudo isto, para dois dias depois e a meia dúzia de quilómetros de casa, estar a passar para o banco de trás uma bolacha, que tinha já nem sei porquê na mala, ao mais novo que se queixava de muita fome e ainda acrescentar com um ar muito sério: cuidado com as migalhas!

A sério. Podem-me dar dois pares de estalos.

sexta-feira, novembro 25, 2011

Caiu-lhe no goto e agora quem o atura somos nós...

- sabes que a Sónia mediu os meninos e pesou e disse-me que eu era o maior e o mais pesado da escola!
- sim, já tinhas disto. vês, é de comeres sempre a sopa e muita fruta!
- sim eu sou mesmo o maior. mas eu tenho de estar sempre a dizer isto porque ainda há uns meninos que não sabem e eu digo-lhes: - sabes eu sou o maior e o mais pesado - e eles assim já sabem.

terça-feira, junho 28, 2011

Acidentes de viação...

Hoje a morte de um jovem famoso após um acidente de viação é notícia de última hora. Hoje faz 5 anos que ia perdendo pela segunda vez um irmão num acidente do mesmo tipo. De hoje a pouco menos de um mês faz onze anos que perdi o meu irmão da mesma forma.

Tinha 22 anos, acabado o curso nesse dia e saído de casa depois do jantar e de chinelos de praia para passear o cão.

No dia seguinte eu esperava a família em minha casa para continuarmos a comemorar o fim do seu curso. Ele ia finalmente gozar qualquer coisa parecida a férias antes de pegar ao trabalho que já o esperava. Tinha uma namorada e o futuro era já planeado a dois. Em vez disso recebi uma chamada a dizer que ninguém sabia do meu irmão. A carne ficou na bancada a descongelar.

À porta do prédio encontrou um amigo de infância que também tinha vindo passar o fim-de-semana a casa e que o convidou a ir dar uma volta com ele ao quarteirão para lhe mostrar o seu carro novo. Parece que não queria ir porque estava cansado e de chinelos, mas o (nosso) amigo lá o convenceu e foi. Ficámos a saber disto tudo no dia seguinte graças ao vizinho cusco do prédio da frente que nunca larga a janela e ouviu a conversa toda.

A meia-dúzia de quilómetros de casa um carro ao ultrapassá-los dá-lhes um toque na traseira, o carro entra em despiste e embate contra uma árvore abraçando-a com o lado do condutor.

O nosso amigo morreu horas depois, após várias cirurgias. O cão morreu no local. O meu irmão ficou em morte cerebral com um único lanho na testa. Levavam os dois cinto. O homem que lhes bateu chamou a polícia mas ficou a ver tudo de longe sem se identificar. Desconfia-se que estaria alcoolizado ou sob o efeito de outras substâncias mas não há como provar nada. Até a forma como decorreu o acidente é uma suposição porque embora tenhamos acabado por descobrir o carro e provado a sua ligação ao acidente foi impossível, sem testemunhas que tivessem visto o acidente do princípio ao fim, formalizar uma acusação e o caso foi arquivado.

Só descobrimos o seu paradeiro muitas horas depois do acidente, já passava da hora do almoço. Morreu três dias depois no momento em que eu chegava ao hospital, para o ver durante uns minutos na única visita permitida, numa segunda-feira dia 17, numa réplica perfeita do que tinha acontecido com a minha mãe precisamente três meses antes. Tal como três meses antes, voltei para casa para esperar o meu pai e lhe dar a notícia. Como três meses antes, tive de voltar a dizer à minha irmã de apenas 14 anos que tínhamos perdido mais um de nós.

Se andam na estrada tenham cuidado. Se andam na estrada e têm cuidado, não descurem a falta de cuidado dos outros. Se andam na estrada e têm cuidado com o que fazem e com o que os outros fazem tenham na mesma atenção, porque mesmo tendo cuidado e não havendo ninguém à nossa volta, é muito simples ver o filme da nossa vida passar-nos à frente dos olhos, em apenas um segundo.

Nós não somos imortais. O amanhã não é garantido. Pensem nisso quando ligarem o carro da próxima vez.

quarta-feira, março 30, 2011

Nas manhãs em que só durmo 3 horas...

perco grande da minha capacidade de resposta.

- Onde é o norte? O norte é muito lá em cima? No céu? Aqui é norte? É onde? O Pai Natal só vive no Norte? E ele vai mesmo a todo o lado? O norte é na Lapónia? Quantos Pais Natal é que existem? São todos gordos? E ele gosta muito da neve? Porque gosta da neve? E como é que ele vai à casa dos meninos todos? E como é que ele desce na chaminé? Como é que ele faz a magia? Ele não gosta de sol? No norte há sol? E os anões que ajudam o Pai Natal gostam de neve? Amanhã é dia de escola? É dia de quê?

and it goes on and on and on...

sexta-feira, março 18, 2011

Nós e os jogos, eles e as suas grandes bocas...

Uma viagem de quase 1300kms com duas crianças pequenas, mesmo que feita em grande parte durante a noite, tem sempre algumas horas de miúdos despertos e desejosos de entretenimento. Aqui recorre-se aos livros, aos jogos entre nós e às cantorias para dar conta do assunto - em parte porque o dvd portátil deu o berro, o que nem foi mau de todo porque percebemos que não fez falta absolutamente nenhuma!

Um dos jogos favoritos é o dos animais, e, consoante vamos avançando no jogo, também o grau de disparate vai aumentando. Ou pelo menos é o que eu quero pensar para justificar a seguinte conclusão:

- ... e tem um rabo grande! - diz ela, para terminar a descrição do animal.
- É A MÃEEEEEE! - responde ele no imediato.

vem cá pedir miminhos vem...

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

É uma pós-graduação em gestão de conflitos...

Ictiossauros, por Miguel e mãe do mesmo

No carro, eu e eles jogamos ao "o que eu gostei mais/o que eu gostei menos"

- o que eu gostei mais foi do Teatro, o que eu gostei menos foi de a V não me ter deixado em paz. - avança ela, continuando a deitar cá para fora os agrados e desagrados.
- o que eu gostei mais foi de descobrir os ossos! Sabes, achámos ossos de dinossauro, Joana!
- não achaste nada - diz ela num tom descrente.
- acharam Joana - interrompo tentando dar-lhe um sinal para entrar no jogo - ouve o mano.
- sim! estávamos na horta a cavar e batemos numa coisa muito dura! depois cavámos mais e cavámos mais e encontrámos um osso!!! Eu encontrei um! Eram três, Joana! E fiz muita foooooorçaaaa! E tirei o osso!
- olha mano, tu achas que eram ossos de dinossauro mas não eram.
- ERAM! - grita ele.
- oh Joana, não digas isso filha. ok?! - insisto a ver se ela pára com aquilo, mas não tenho sucesso e começa uma troca de galhardetes entre os dois. Ele que ela era mentirosa, ela que não, até que...
- olha, eu vou explicar-te tudo Miguel...
- JOANA!!! - digo sem paciência.
- deixa-a explicar mãe. Deixa-a! vá Joana, então diz lá!
- então é assim - diz com voz maternal - tu achas que encontraste ossos de dinossauro que estavam ali enterrados, mas isso não pode ser. de certeza que foi a Sofia, que foi buscar os ossos de dinossauro a algum museu e que os enterrou na horta só para vocês descobrirem como é que se achavam os ossos e pensarem que eles estavam lá. Foi assim, Miguel.

E o que ela ouviu de volta?! Um "estás a mentir Joana! Mentirosa!"

Tentei a lição que há várias verdades e que cada um de nós escolhe em qual quer acreditar, mas parece-me que o mais pequeno não ficou convencido. Amanhã há alguém que vai ter muito que explicar... (é melhor ires começando a pensar no que vais dizer!)

quarta-feira, novembro 17, 2010

No carro...

do nada, desata a chorar e no meio dos soluços diz que quer o Lucky de volta. Que tem saudades e que não percebe porque é que os médicos não o conseguiram salvar.

Na escola esteve sempre bem, e em casa o primeiro pensamento matinal já não é o Lucky.


Crescer custa. Ajudar a crescer também. Especialmente quando vemos tanto de nós neles.

Conversas com ele...

- Mãe porque é que estão ali aqueles polícias com aquele fio?
- É para os carros não estacionarem.
- Mas estão lá carros!
- Sim, mas agora já não podem parar e aqueles vão ter de sair.
- Porquê?
- Porque têm medo que alguém ponha uma bomba num carro.
- Uma bomba?! Mas porquê?
- Porque se pusessem uma bomba num carro e este explodisse destruía o que estava à volta.
- E destruía as pessoas?
- Também.
- E depois os polícias multavam o carro, não era?!


olha que era provável, sim senhora...

quarta-feira, outubro 13, 2010

I'm so tramadinha...

No carro, eu e ele vamos a conversar sobre já não sei o quê e eu distraio-me da conversa ao entrar numa rotunda. Ao reparar que eu desliguei do que estávamos a conversar, ele decide reivindicar a atenção de volta:

- heelloooo... estou aqui! - no tom daaahh característico dos (pré-)adolescentes..
- hello!? mas de onde é que saiu essa?
- então, hello é olá! é assim que dizemos olá com a Gosia (professora de Inglês).
- ah... - solto eu mais descansada por não estar relacionado com os trejeitos de miúdos mais velhos.
- e guta the bathroom é como se diz quando queremos ir fazer xixi. Quando estamos com a Gosia não dizemos que vamos fazer xixi, dizemos: Gosia, posso guta the bathroom?! e ela diz yes! é assim.

E aguentar-me sem me desmanchar a rir à gargalhada?! humm?!

terça-feira, julho 13, 2010

Em modo non-stop...

mas porque é que nascemos bebés e depois temos de morrer? e porque é que crescemos? e como é que vivemos se quando apareceram as primeiras pessoas eram todos bebés e não havia crescidos para dar comida? o que é que comiam se não havia mamãs para dar maminha? e os gelados são feitos mesmo de bichinhos? [os tais que estragam os dentes dos meninos que não os lavam] e o que é que nos acontece quando morremos? e como é que nasceu o primeiro bebé se não tinha mãe para estar na barriga? e como é que crescem os ossos? os carros também morrem?

E é dos que não se contenta com uma explicaçãozinha de nada ou que se deixa enganar pelo olha ali aquela mota/carro/nuvem tão gira!, não, temos de dissecar cada nova informação que lhe é dada até ao limite e, quando achamos que já está satisfeito, volta ao ataque com outra pergunta qualquer.

As nossas viagens de carro nunca são monótonas. Muito menos silenciosas.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

No carro...

de regresso a casa, eu e e ele jogamos ao jogo das rimas (eu digo uma palavra e eles têm de achar uma que rime com ela):

- Miguel.
- papel!
- tem.
- mãe!
- prato.
- comida!

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Conversas com/entre eles...

no carro, à noite e de repente (para não variar):

- o que eu não percebo é como é que apareceu a primeira pessoa.

(pai e mãe a fingirem que não ouvem, lai lai lai)

- a primeira mesmo. teve de haver uma primeira pessoa. oh mãe como é que apareceu a primeira pessoa? não pode ter tido nem pai nem mãe!
- bom... há pelo menos duas teorias e numa delas, o Homem descende do macaco depois de muitos e muitos anos de evolução. Por isso é que somos tão parecidos.
- evolução? mas como é que um macaco se transformou num homem?
- olha - diz o pai - já viste que tu há uns anos eras pequenina e agora já estás tão crescida? E daqui a uns anos ainda vais ser maior! É uma evolução, uma transformação que demora muito tempo, mas no caso dos macacos ainda demorou mais...
- oh mãe onde é que está o dia?! - interrompe ele - porque não é sempre de dia?

Acho melhor instituir um sistema de senhas.

segunda-feira, outubro 26, 2009

No carro...

às vezes dou-lhes o porta-cd's para as mãos e deixo que escolham o que quiserem. Invariavelmente, eles acabam por escolher sempre o cd com a label - arranjem-me lá a palavra correcta em português, sff - que os chama mais atenção. Hoje foi o Miguel a escolher e o eleito foi o Best of the Beast, dos Iron Maiden. Duas músicas depois: - ó mãe eu gosto disto!

quarta-feira, setembro 30, 2009

Rir ou não rir, eis a questão...

No carro, a regressar a casa, o sol de fim-de-tarde a bater nas janelas. Ela a mirar-se no espelho retrovisor, a ajeitar o cabelo, a experimentar novos visuais, um sol dourado a bater-lhe apenas sobre um punhado de cabelo, e nisto: - oooooohhhhhh! - pânico! - oh mãe, oh mãe! eu tenho uma ameixa* no cabelo! mas eu juro que não fui eu que pintei! não fui! É que não consegui parar de rir... * madeixa

terça-feira, setembro 29, 2009

Ui... já?!

Domingo, no carro sozinhas a caminho de casa, quando de repente: - mãe quando é que eu vou ter um telefone para mim? Pausa. Processa a pergunta, não te esqueças de respirar. - um telefone? Queres dizer um telemóvel?! - sim, mãe! Quando é que eu vou ter um telemóvel?! ui estás tramada! mas como é que ela se lembrou disto?! - sei lá filha! - mas quando mãe? quando é que eu vou ter um telemóvel? aiaiaiai isto tem coisa... - não faço ideia, porquê? algum colega teu tem telemóvel, é? - não! mas eu quero saber quando é que vou ter um. - oh filha não sei a sério, quando fores mais velha. - mas com quantos anos, mãe? esta agora! a miúda encravou foi? tu toma cuidado, vê lá bem o que dizes, olha que te tramas que ela não se esquece! - sei lá, 12, 13 ,14, 15... só tens quando precisares mesmo dele filha. - ai só?! - responde incrédula. só?! apetece-me replicar - olha que se calhar é até cedo demais filha! a mãe só teve o primeiro telemóvel lá pelos vinte anos! - vinte?! mas aos vinte já tenho uma carteira não tenho mãe?! bonito... isto vai para onde agora?! - sim, claro. - pois é que aos vinte já tenho a carta para conduzir por isso preciso de uma carteira. cala-te, tu fica caladinha - mas preciso de dinheiro para pôr na carteira. como é que eu ganho dinheiro mãe? - então... podes trabalhar nas férias por exemplo. - oh mãe, é mesmo verdade que se eu tiver boas notas posso escolher o meu trabalho? (mais conversa) - então quais são os trabalhos que dão mais dinheiro?! nada como ser pragmática.

sexta-feira, julho 10, 2009

Conversas com/entre eles...

Terça-feira, no carro com a nossa Soph: J – Oh Sofia… sabes que eu e o meu mano tamos ricos! S – Ai sim?! J – Sim! A minha mãe deu-nos muito dinheiro e agora já não é preciso eu ter um emprego. [por muito dinheiro entenda-se várias moedas de 1, 2, 5 e algumas de 10 cêntimos que fui encontrando pela casa nas limpezas :)] *** * M – Tá tudo roto*! Tá tudo roto! Tá tudo roto! J – Miguel!!! A mãe já não te disse para não dizeres essa palavra?! Miguel!!! M – Mas a mãe não aqui e não vai dizer. J – Mas tu sabes bem que ela depois vai saber! S – Eu não vou dizer nada!!! J – Mas digo eu que sou a mana mais velha! [mas não disse :p] * agora deu para dizer que somos "rotos". Não faço ideia onde é que ele foi buscar isso!

sexta-feira, maio 22, 2009

Conversas com eles...

No carro: - Mãe, vou cantar uma música que vocês não conhecem! Ó rama ó que linda raaaaamaaa, ó rama da oliveira... (quando ela chega a meio começo a cantar com ela) - aqui e em qualquer lugaaaar... - Isso não é uma música! Isso é missa! O Miguel é que sabe :p

sábado, março 28, 2009

Conversas com ela...

No carro: - Oh mãe, podemos ir ao google e mandarmos um email à S. se encontrarmos coisas do espaço? - Podemos claro, Joana. - Boa! Fazemos assim "queremos ver coisas do espaço" e depois vemos! - Ai se escrevermos "queremos ver coisas do espaço" aparecem coisas sobre o espaço, é? - Devem aparecer... se carregares no Enter.