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quinta-feira, novembro 15, 2012

Lily...




O nosso Rufus está cada vez menos ativo. Passa os dias a dormir, não tem vontade de se mexer muito e uma dificuldade imensa a subir e descer. Custa-me vê-lo assim, especialmente quando a temos a ela a lembrar-nos de como era ele há onze anos atrás...

Testa-nos diariamente o limite da paciência, mas é esperta, meiga e companheira.

sexta-feira, novembro 02, 2012

Tirar o dia...

Ontem tinha tirado o dia para estar com amigos mas acabou por ser dedicado apenas aos seis de casa. As estrelas pareciam alinhadas em fazer-me ter tempo para pensar na minha vida atual, no meu dia-a-dia, no meu tempo para os de quem gosto mas, acima de tudo, no meu tempo para mim (que isto de se trabalhar sete dias por semana - mesmo correndo por gosto - não mata mas mói) porque ao contrário do que alguns sentem (não totalmente sem razão) a última da lista das prioridades sou, na verdade, eu própria.

Assim sendo, ontem tirei o dia. Sem sentimentos de culpa, sem pensar no que estava a atrasar ainda mais, só porque eu mereço.

Começámos o dia os quatro nas águas da Prainha, para a melhor manhã de surf que a minha curta experiência a praticar o dito conheceu. É engraçado como eu encontro nos desportos ditos radicais (como o surf ou o snowboard por exemplo) uma fonte de serenidade imensa. São desportos exigentes a nível físico, que me fundem com a natureza e a sua paz, que me ocupam o cérebro com o aproveitar do momento e que me devolvem o bom humor que tantas vezes me parece querer fugir.


Depois de um almoço composto por água, fruta, donuts e pães de chocolate, e de umas compras antes de voltarmos a assentar arraiais em casa, brincámos. Eu tento sempre atraí-los para as brincadeiras simples. Daquelas que não exigem grandes coisas para nos divertirmos. A tecnologia, é gira, é útil mas também pode ser altamente castrante quando começamos a não ver para além dela. E como diz o ditado: é de pequenino que se torce o pepino.


Passado um bocado, os miúdos saíram para uma volta pela vizinhança mais próxima a pedir o pão-por-Deus. Chegaram de sacos cheios e ostentavam sorrisos gigantes na cara. Quiseram ir até mais longe, até à casa dos padrinhos dele, por isso pegámos nos cães e lá fomos os seis, num passeio pelo bairro, por mais ruas que as necessárias, sem pressas e com muita lata pelo caminho (que confesso muito me espantou, que conhecendo-lhes a vergonha, nem sei como tiveram coragem de tocar a tantas campainhas e falar com tanta gente diferente).



As reações ao toque da campainha eram diversas e desde conversas animadas a semblantes fechados tiveram de tudo um pouco. Os sacos iam-se enchendo com fruta, doces, bolachas, latas de coca-cola (adorei a genialidade com que algumas pessoas desenrascaram uma oferta, só por terem gostado de os ver pedir o pão-por-Deus) e até doces chineses.

Depois do jantar a descoberta do Crocodilo Dundee a passar na tv e a estreia deles nos filmes "de crescidos". A Joana ria com as tiradas do "Crocodile" Dundee, o Miguel impressionava-se pela dureza do ator principal e com as paisagens australianas.


Foi um dia bom. Deliciosamente e simplesmente, bom.

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Como fotografar os meus filhos...

sem que eles: a) tapem a cara; b) fujam; c) façam caretas; d) protestem; e) não façam poses idiotas

É simples.

Hipótese 1: fotografo-os de costas


Hipótese 2: sorte.


[aos pais das famílias que fotografo e que me vão avisando logo à cabeça o quão difíceis são os seus filhos de fotografar, não vos preocupais. Estes dois são a melhor preparação possível para a arte de fotografar crianças "difíceis". São quase matéria de doutoramento :)]

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Líli *?! Mími *?! eh pá, decidam-se!

Agora as minhas manhãs começam uma hora mais cedo. Levanto-me e quando lá chego abaixo já ela está pacientemente à espera mas pronta para a brincadeira. Enquanto desço as escadas percorro o chão à procura de potenciais armadilhas.

Hoje foi uma linda e guardou o presente mal-cheiroso para quando lhe abri a porta e deixei ir para as traseiras.  Nos cachorros tal como nos bebés, é incrível a facilidade com que nos põe a falar de questões escatológicas. Pior. É incrível a facilidade como as descrevemos com tamanho entusiasmo.

Depois de muita brincadeira e de mais um banho de pó de talco (o cheiro a galinheiro está finalmente a deixar-se aniquilar) fomos acordar os mais novos com lambidelas e puxões de cabelos.

Passado um bocado era o fim-do-mundo em cuecas naquela casa.

- Mími anda cá!
- mau, mas não era Líli?!
- é Mími, mãe!
- pois é, é Mimi, mãe.
- ok, então é Mími.

(30 segundos passados)

- Líli, larga isso! Posso limpar a Líli, mãe?
- então não era Mími?!
- não fica Líli, é melhor Líli.

Acabámos por sair de casa mais cedo que o habitual e, com a sorte grande e a aproximação sentados nas escadas da entrada a observarem-nos os passos. Espero que a veterinária tenha razão e ela adquira o temperamento do Rufus por imitação. Só dispenso que ela o imite na atração pelos caixotes do lixo e na tendência para o disparate... mas aí já poderei estar a ser ambiciosa demais.



* atentai à acentuação escolhida por eles... é que não é podia ser Mimi ou Lili, tinha de ser mi ou li. Se não acabar por ser outra coisa qualquer...

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Apresento-vos a Líli...

e os donos mais babados deste universo e do seguinte.

[Já foi à veterinária e temos aqui uma cachorra de no máximo dos máximos dois meses, com 3,5kg e que promete ser de porte médio e bem constituída. Eles deliraram quando a viram e o difícil foi convence-los que não precisavam de dormir no chão com ela para lhe velar o sono... amanhã a manhã promete! :)]

Diz que fomos adotados...

E diz que começo a acreditar no destino. Há umas semanas, e à conta da beagle que precisava de uma nova família, concluímos que estava na altura certa de trazer para a casa um cão/cadela mais novinho que fizesse companhia ao Rufus durante o dia e que, um dia destes, mais cedo de certeza do que gostaríamos, nos impedisse de ficar com uma casa sem latidos e lambidelas de carinho.


Com a beagle infelizmente não correu bem, e uns dias depois alguém que acompanhou a história por aqui, enviou-me um email a perguntar se não estaríamos interessados em adotar um golden retriever de um ano que também não podia ficar com a sua família original. Dissemos que sim, mas quando ela contactou a criadora que tinha lançado o apelo a dar a boa nova, ele afinal já tinha encontrado um novo lar.


Porém, ontem de manhã confirmaram-se os ditados populares que não há duas sem três e que à terceira é de vez. Uma amiga foi fazer umas compras de manhã e no regresso a casa deu de caras com um cachorro minúsculo no meio de uma via rápida, sozinho, e com os carros a travarem de repente para não o atropelarem. Ela não foi capaz de o deixar ali, abriu-lhe a porta e ele entrou imediatamente para dentro do carro.


Sem saber o que fazer a seguir e morando num apartamento com dois gatos, lembrou-se de nós e pediu-nos guarida pelo menos até conseguir uma família para ele.


Diz que nos conquistou assim que entrou dentro do portão. E que afinal, será ela a primeira habitante feminina de quatro patas cá de casa.


É linda, é meiga e ou muito me engano ou vai ser extremamente fácil de educar. Agora estou aqui a morrer de ansiedade pela hora que os miúdos regressem da casa dos avós e a descubram.

É ou não é um doce esta menina?

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

S. José...

Confesso que o hospital de São José é um hospital que me mexe um bocado com as emoções. Foi para lá que fui levada de urgência quando durante recreio de um dos primeiros dias de aulas me empurraram e estatelei a cara numa garrafa de Sumol partida. Foi para lá que caminhei durante muitos anos para as consultas de maxilofacial e plástica de forma a melhorarem o aspeto da cicatriz com que fiquei. E foi lá que vi a cara do meu irmão pela última vez.

Este fim-de-semana tive de lá voltar. No sábado, fui mordida por uma cadela minúscula (para a minha escala de tamanhos de cães) na boca e fiquei com o lábio inferior perfurado de um lado ao outro fora outros arranhões de pouca importância. Estava tudo na boa, a cadela - uma Beagle de 8 meses - ia lá passar o fim-de-semana connosco para ver se se habituava a nós e ao Rufus, pois os donos não podem ficar com ela e andam aflitos à procura de um lar que a acolha e a estime. Depois de ver tanta gente a querer e a desistir logo a seguir, a história falou-me ao coração e lá foi ela à experiência.

O Miguel que tem medo de cães pequenos porque são mais nervosos e andam mais à nossa volta (comparativamente à realidade que ele conhece, lá está) ficou logo muito apreensivo assim que ela entrou. A certa altura, estamos todos juntos num quarto, ela apanha um peluche dos miúdos e eu baixo-me para lho tirar. Ela rosna-me logo. Eu, sem largar o boneco digo "então, estás a ros..." mas nem acabei a frase, porque ela atirou-se logo.

A seguir foi manter a calma pelo bem de todos, estancar a hemorragia, telefonar ao Saúde 24 e seguir para o hospital onde fui imediatamente atendida e de forma excecional (o único tempo de espera foi cerca de meia-hora para que o cirurgião de maxilofacial terminasse a cirurgia e viesse dar a sua opinião).

E o que eu vi nessa meia-hora de espera? Dezenas de pessoas que tiveram de se deslocar a uma urgência de um hospital por uma simples gripe ou dor de barriga porque já não há atendimento prolongado nos centros de saúde, e assim, consegue-se entupir ainda mais um serviço já por si congestionado e fazem estes utentes gastar umas horas valentes, contaminar os que não estavam engripados e pagar 20 euros ao contrário dos cerca de 3 euros que se pagava nestas urgências.

Quanto à minha mordidela, com antibiótico e os cuidados certos há-de passar sem deixar grandes marcas (vantagem de ter sido nos lábios) mas o que vai realmente demorar a curar é o medo que já roça o pânico que o Miguel tem aos cães pequenos.


quarta-feira, novembro 02, 2011

segunda-feira, agosto 29, 2011

Autch...

O nosso Rufus está quase a fazer 11 anos. O nosso Rufus, sempre que fica a ser tratado por uns amigos enquanto vamos de férias, engorda sempre uns quilitos (é tipo os miúdos quando vão para os avós :p). E o nosso Rufus não pode engordar por causa do seu problema nas ancas. Por isso, quando regressámos, decidimos passar a levar o nosso Rufus para um treininho pelas sete da matina para não complicarmos as manhãs e não termos desculpa de estarmos muito cansados à noite.

Este fim-de-semana, como o pai foi buscar a criançada, calhou-me a mim - e fui contrariada mesmo, especialmente no sábado em que ainda estava a recuperar de uma enxaqueca que se instalou na quinta-feira - ser arrancada da cama para uma corridinha.

É certo que uns 45 minutos depois estava na cama novamente. É certo que voltei a adormecer e só acordei às dez em ambos os dias. Confesso que - e especialmente no sábado - a corridinha até me fez muito bem, embora deteste correr e fique sempre aflita das costas. Mas o que eu não estava à espera é de andar à dois dias com umas dores nas pernas como se tivesse passado umas horas intensas no ginásio e fazer uma figurinha sempre que subo e desço escadas.

O nosso Rufus já está mais magro e até já aguenta o percurso todo a correr, mas está visto que o nosso Rufus não é o único a precisar de umas corridinhas matinais sistemáticas.

sexta-feira, agosto 05, 2011

Panda Kung Fu


Como na aldeia não há cinema, vem o cinema a nós :)

Vai uma pessoa apanhar a roupa e dá de caras com uma visita destas com cara de poucos amigos. E o Miguel que o diga que foi todo feito pegar nele e acabou ficou com ele preso por uma pinça a um dedo que os Louva-a-deus não estão para brincadeiras.

domingo, março 20, 2011

Não, não fui à terrinha...


é mesmo aqui onde vivo que se encontram vacas a pastar nos lotes ainda vazios.

[e cabras e ovelhas, mas essas eu já sabia. vacas foi mesmo novidade]

domingo, janeiro 30, 2011

Quase um dia de filho único...

E o tempo ajudou a satisfazer-lhe os gostos que muitas vezes ficam para a próxima vez. Fomos até à praia passear o Rufus, corremos, brincámos, apanhámos conchas para os amigos, almoçámos fora, dormimos uma soneca, acordámos ainda de dia e brincou no jardim, fomos para a rua andar de bicicleta e jogar às escondidas e à apanhada.










E neste tempo todo, ele só falava na mana e de a irmos buscar para ela também fazer isto tudo connosco.

quarta-feira, novembro 17, 2010

No carro...

do nada, desata a chorar e no meio dos soluços diz que quer o Lucky de volta. Que tem saudades e que não percebe porque é que os médicos não o conseguiram salvar.

Na escola esteve sempre bem, e em casa o primeiro pensamento matinal já não é o Lucky.


Crescer custa. Ajudar a crescer também. Especialmente quando vemos tanto de nós neles.

segunda-feira, novembro 08, 2010

Nós por cá...

A primeira pergunta do Miguel ao acordar continua a ser "o Lucky já morreu?". O Rufus continua triste e à noite já nem se interessa pelos camiões do lixo e voltou a querer ficar aninhado aos nossos pés. Os vizinhos da rua choram quando ficam a saber e não reconhecem o silêncio da rua ou sequer o nosso portão sem o seu mais fiel segurança.

Nós vamos andando, mas é impressionante como ainda nos pesa esta ausência.

quarta-feira, novembro 03, 2010

Hoje de manhã...

o Miguel acordou a querer saber do Lucky e a decompor cada resposta recebida numa nova pergunta.

As nossas manhãs começam (quase) sempre devagar. Acordamos um de cada vez, muitas vezes deitados junto deles, contemplando-lhes o sono. Em geral, o Miguel quando acorda sai disparado para o sofá e a Joana prolonga a ronha tanto quanto lhe é possível e exige colo para a mesma viagem.

Hoje estava eu com ela na cama dela, e o pai com ele na nossa. No silêncio do quarto onde estava, ouvia a conversa entre os dois, até que, no preciso momento em que a irmã começa finalmente a despertar:

- (...) mas agora o Rufus está sozinho. Precisamos de outro animal para ajudar o Rufus a manter os maus lá fora. Pai podemos ter um cavalo?

Nota: ele, dos dois, é o que está mais incomodado e incoformado por já não termos o Lucky. No entanto, o pragmatismo é pelos visto algo que também se pode herdar e, pelo que vou observando, foram ambos presenteados com uma boa dose dele. Mas um cavalo?! ai...

terça-feira, novembro 02, 2010

Lucky...

ou Patolas, ou Patolecas, ou Luckyzolas, ou Luckyzudo.

Caíste há oito anos de pára-quedas na nossa casa e apropriaste-te de nós todos. Eras o maior, o mais pesado, o mais chato, o mais medricas, o mais doce, o mais terno e o maior compincha.

Obrigada por tudo o que nos deste. Obrigada por teres fingido ser um cavalo tantas vezes e teres levado ao lombo as muitas criancinhas que nos visitavam. Obrigada pela paciência sem limites. Obrigada por teres ajudado tanta gente a perder o medo de cães com a tua meiguice. Obrigada pelos ratos que caçaste e obrigada por ter teres mantido tanta gente a uma distância considerável do nosso portão (se bem que o carteiro e os homens da pizza tinham dado jeito às vezes mais perto).

Eu que mandei vir tanto contigo, que te enxotei tantas vezes quando vinhas com essa cabeçorra encostar-te a mim e quase me fazias cair, que te evitava todas as manhãs para tentar chegar à rua sem babas enooormes na roupa lavada, que me passei com as tuas asneiras e maldisse o dia em que acedi a ter dois cães tão grandes, eu na verdade rendi-me a ti no primeiro minuto que te vi.

Só quem te conheceu sabe o quanto eras especial. Só quem te viu a lutar contra a doença como tu lutaste (conseguiste ganhar a luta a uma leishmaniose e a um melanoma, sabes o quanto isso é raro?!) sabe como gostavas de viver. E só quem te viu o olhar hoje sabe como nos soubeste mostrar que estava na hora.

Ninguém desistiu de ti e tu não desististe de nós. Obrigada meu querido. Obrigada do fundo do coração. Eu vou-me lembrar sempre de ti assim: chato. Chato como é o Miguel quando só quer o colo da mãe ou a Joana quando quer um miminho nas horas mais impróprias. Chato como só um filho pode e sabe ser. O nosso chato.