domingo, janeiro 16, 2005

Amamentar... até quando?

Sou uma das felizardas que conseguiu amamentar sem recurso a outros leites. Foi amamentação exclusiva até aos seis meses de idade e como complemento até hoje. Mas se para muitas mães a questão é "como aumentar a produção de leite? Como prolongar a amamentação?", para mim (e julgo que não só...) a questão é "como parar? Até quando dar de mamar?" Agora já não estou preocupada visto a Joana ter começado a dormir melhor à noite mas houve uma altura em que ela acordava constantemente por causa da sua ma-i-nha. Aí é que eu pensei: "como é que eu vou parar isto?". Por um lado não queria. Não queria perder este laço que nos une, não lhe queria tirar este agrado, queria ver até quando durava... ou seja, ainda não estava preparada. Por outro lado, ELA não queria parar! Assim sendo, comecei uma odisseia em busca de informação por sites, revistas, programas de tv e amigas. E é difícil encontrar informação sobre este tema! Entre as amigas é difícil porque não se encontra muita gente que amamente até tão tarde. Nas revistas e internet todos os artigos relacionados com este tema acabavam por tentar arranjar motivos para não parar em vez de indicar formas de nos ajudar a terminar esta fase sem dramas. Ou seja, falam quase exclusivamente nos benefícios da amamentação.
«(...) São todos esses benefícios que levam a OMS a recomendar a amamentação como alimento exclusivo até aos seis meses de idade do bebé e, depois, como complemento até aos dois anos (...)»
in Pais e Filhos, Janeiro 2005
Tudo muito giro mas trabalho e amamentação não é assim tão fácil de conciliar (especialmente durante a amamentação exclusiva!). Conseguir manter a produção de leite necessária a satisfazer as necessidades do bebé quando não estamos presentes, envolve muita força de vontade e um punho forte porque são precisas muitas "bombadas" para extrair o que os nossos bebés tiram em poucos minutos! A própria logistica não é pêra doce, andar de geleira, bomba e biberões de casa para o trabalho e vice-versa não agrada a todas! Conciliar o horário de trabalho com as horas das tomas é difícil e para muitas já era bom conseguirem as duas horas de amamentação, mesmo durante o primeiro ano de vida do bebé. Para mim, a amamentação sempre foi algo feito com muita naturalidade e com muito prazer, mas houve uma altura que me apeteceu parar.
«(...) Se é hoje um dado adquirido que o leite da mãe é o melhor para o bebé durante os primeiros meses, a verdade é que, a partir daí, os consensos desaparecem. Até aos dois anos? Que horror! É assim que muitas pessoas reagem perante a perspectiva de ver mamar um bebé que já anda, já fala e tem a boca cheia de dentes. (...)»
in Pais e Filhos, Janeiro 2005
A minha menina é assim, já fala, já anda e tem uma boca cheia de dentes. Mas principalmente, adora mamar! O que fazer nestes casos?!
«(...) O ideal é responder às necessidades do bebé e, se nos primeiros meses, um recém-nascido mama fundamentalmente para se alimentar e obtém como bónus calor e segurança do amor de mãe, já um bebé de oito, dez ou doze meses continua a mamar por razões que se prendem mais com conforto e segurança do que com necessidade alimentares. Ou seja, se oferecermos um biberão de leite a um bebé dessa idade, ele até pode aceitá-lo, mas isso não substitui, para ele, o colo e o contacto com a pele da mãe. E é isso que, para muitas pessoas, é motivo de preocupação. Será que a criança não vai ficar muito dependente da mãe? Será que vai tornar-se mimada? A estas perguntas, há quem responda com um simples: «Isso já é vício! O melhor é largar a mama!» Cristina Leite baseia-se em toda a informação que La Leche League disponibiliza, mas também em toda a experiência de quatro anos como moderadora de reuniões de mães que amamentam, para responder peremptoriamente: «Não! Não há quaisquer consequências negativas por uma criança ter dois anos e mamar. Pelo contrário, pode tornar-se mais segura e confiante. É um miminho.» (...)»
in Pais e Filhos, Janeiro 2005
E é isso mesmo que é para a minha filhota. Mas foi um miminho difícil de dar naquelas noites em que acordava, às vezes de hora em hora, todos os dias semanas a fio. E quanto a isto...
«(...) Outro argumento que costuma ser utilizado como contra-indicação da amamentação prolongada é o facto de os bebés acordarem mais durante a noite, para mamar, do que aqueles que já foram desmamados. Fernando Chaves considera que esta crença não tem fundamento: «Há bebés amamentados que dormem a noite inteira e crianças que aos três anos ainda acordam de noite para beber biberão. Isso tem a ver com o ritmo de cada bebé, mais nada.» (...)»
in Pais e Filhos, Janeiro 2005
E pronto resumindo e concluindo fiquei sempre sem resposta! Agora a fase difícil já passou e nós podemos novamente desfrutar da amamentação sem stresses. Mas a questão mantém-se "até quando?" O melhor é não pensar mais nisso e desfrutar enquanto dura!

3 comentários:

SusanaTete disse...

Tenho dois filhotes.
Dei de mamar à mais velha, a Inês, até aos 15 meses. Parámos naturalmente porque deixei de ter leite suficiente para a gulodice dela à noite. E nessa altura ela passou a preferir o biberon de leite.

O Gonçalo mamou até aos 2 anos e 1 mês. Parámos talvez porque achei que ele estava grande de mais e muito dependente da mamã. Mas no fundo também foi natural. Foi de forma gradual e natural para os dois.

Anónimo disse...

A amamentação é muitissimo importante, mas a partir dos 2 anos em termos nutricionais ou de aporte alimentar já não faz sentido - ( considerando os países industrializados )-,
É também importante que não seja a mãe a ser dependente da amamentação instigando a criança mesmo sem se aperceber.
Mais importante é que cada uma seja livre de dar mama até lhe apetecer, ou até ter mama para dar.

Pensamentos Felizes disse...

Se há coisa que me dá imenso prazer é dar de mamar ao meu filho e sei que para ele tb sãos os melhores momentos do dia. Passo é as noites sem dormir (uma vez que este meu rapaz é muito mamão e adora brincar com as maminhas da mãe) ando com umas olheiras que só visto mas ando feliz :D
Vou ter muita pena quando deixar de amamentar.