sexta-feira, julho 10, 2009

Então é assim...

Lamento meninas, mas eu não descobri a pólvora :p A única coisa que consegui fazer foi ir testando várias técnicas até ver qual é que surtia efeito com ele. Quando ele começou a reagir desta maneira comecei por tentar ignorar mas sempre dizendo-lhe que estava a proceder mal. No entanto a calma, depressa passou - especialmente com o cansaço acumulado - a reacções que de calmas não tinham nada, e dei por mim ou a gritar com ele, ou a castigá-lo sem sucesso, ou até, dar-lhe uma palmada. Tudo o que fizesse era como se conseguisse enervar ainda mais e muitas vezes ele entrava numa espiral incontrolada. Até que decidi experimentar outra coisa: quando ele se enerva ao ponto de (tentar) bater, pegava nele e punha-o de castigo sentado no chão (onde quer que estivesse) , ficava lá com ele e agarrava-o se fosse preciso para ele não sair. Gradualmente, ele deixava de tentar bater e começava o choro/birra. Esperava e quando já não tentasse sair, dava-lhe espaço saindo de ao pé dele e garantindo que voltava quando estivesse mais calmo. Aqui, muitas vezes ele começava ainda a chorar mais para eu não o deixar mas não saía do sítio. Se tentasse sair, eu voltava a pô-lo no mesmo sítio, reafirmava que não podia sair dali e que eu voltava quando estivesse mais calmo e repetia tudo as vezes que fossem precisas. Se ele começasse a quebrar esperava mais um pouco a ver se parava efectivamente o choro, caso contrário ia ter com ele e perguntava-lhe sem me aproximar muito (sempre com uma voz calma mas firme) se ele já estava mais calmo. Aqui em geral, ele calava-se ou pelo menos acalmava-se e assentia. Nesse momento, eu voltava a sentar-me com ele no chão, abria-lhe os braços e deixava-o acabar de se sossegar em mim. Quando ele estivesse mesmo mais calmo, virava-o de frente e falava com ele - olhos, nos olhos e com voz firme - sobre o que tinha feito, explicando-lhe que gosto muito dele, mas que fico muito triste quando se porta assim e que ele tinha de tentar controlar-se. Depois pedia-lhe para ele pedir desculpas, fazíamos as pazes e não se falava mais no assunto. Assim que comecei a fazer isto, consegui limitar-lhe estes ataques de fúria na sua duração e na sua frequência, no entanto, ainda tinha (tenho) não os consigo evitar por completo, ou seja, ensiná-lo a controlar-se sozinho sem ter de intervir é algo que ainda está a ser trabalhado. Foi passados uns tempos de ter começado a ter sucesso que me lembrei de algo que tinha usado com a Joana quando ela lembrou-se de ensaiar as primeiras birras. O "1,2,3". Ora, o "1,2,3" não é nem mais nem menos do que assim que perceber que eles estão a começar alguma tontice/birra, afirmar com uma voz bem firme, que vou contar até 3 e que se não pararem no entretanto recebem algum castigo imediato. O truque aqui, é contar efectivamente até três (demorando mais ou menos tempo a contar consoante o que eles precisam para terminar o que eu não quero que façam) e se quando chegar ao 3 eles não tiverem parado mesmo, então cumprir o castigo sem cedências. À primeira eles acham que nós não cumprimos e vem birra na certa quando aplicarmos o castigo. À segunda - se tivermos cumprido na primeira, claro - já podem tentar a sorte mas já não se sentem tão confiantes. A partir daí, vai melhorando até ao ponto de eu já só precisar de dizer "olhem que vou começar a contar até 3!". Nada de inventar castigos para umas horas depois, ou impossíveis de concretizar. Pensar em coisas simples e que possam ser aplicadas nesse preciso momento. Este método, ajudou-o a controlar-se, mas há ainda situações (especialmente em público) em que a coisa nem sempre corre da melhor maneira, especialmente quando eu nem sequer tenho tempo de dizer "olha que...". Portanto, como viram, não há segredo nenhum nem cura fantástica. Nós enquanto mães é que temos de tentar perceber qual é o método que melhor resulta para os nossos filhos e para nós. No nosso caso, foi encontrar algo que ajudasse a quebrar a fúria antes de começar ou logo que começa (o "1,2,3"), usar o castigo como forma de dar-lhe espaço para libertar alguma da frustração através do choro e depois dar-lhe o colo para o acalmar e conseguir explicar-lhe o porquê do que ele fez ser tão errado, e colocar o episódio para trás das costas garantindo-lhe que gosto dele sempre, mas que gosto ainda mais quando ele tem calma e tenta falar em vez de bater. Não sou psicóloga por isso, se alguém da área andar por aqui e quiser dar a sua opinião é mais do que bem vinda. Há muitas mães por aqui a precisar desta ajudinha :)

22 comentários:

MakingMoney disse...

Olha... Tambem não sou psicologa, mas parece-me um excelente método. Eu usava muito o do 1,2, 3 com a mais velha. Com o mais nov parece-me prematuro, por enquanto faze-lo, mas ele faz tantos disparates...

Rita Costa disse...

Eu sou psicóloga, mas concordo plenamente com o que tu dizes... enquanto mães é que sabemos o que melhor se ajusta aos nossos filhos.

E o curioso é que até entre irmãos, há métodos que podem resultar melhor com uns dos que com outros... e vejo isso pelos meus 4!

Felizmente por aqui as birras existem (e até é bom sinal) mas não são algo que nos atrapalhe muito a vida... fora de casa parecem santos e em casa testam-nos um bocado.

A técnica que uso é a do 1,2,3 e se ao 3 não tiverem parado vão imediatamente para o escritório e é lá que ficam até se acalmarem. Sigo a regra dos minutos no castigo conforme a idade, mas se a coisa foi grave podem lá ficar mais 1 ou 2 minutos que o costume... é para pensarem melhor no que fizeram, como eu lhes costumo dizer.

Acho que o "segredo" independentemente das estratégias que cada pai/mãe escolha é ser-se coerente... isto de se falar muito e ralhar muito mas depois não dar em nada, ou à minima coisa dar uma palmada e nem explicar o porquê, desorganiza as crianças e depois elas não sabem com o que podem contar.

Educar é sem duvida uma tarefa dificil, um desafio enorme mas é muito compensatória :)

Desculpa acabei por me alongar...

Beijos

Beta disse...

Olá, tenho que guardar religiosamente este post para aplicar no meu pequeno. Apesar de só ter 1 ano (e pouco) também faz birras enoooormes. Para já, o que faço é ignorar e, disfarçadamente, arranjar-lhe algo que o distraia da birra. Para já, resulta, mas sou a única a aplicar este método, todas as outras pessoas que estão com ele dão-lhe imensa atenção e ele começa a pensar que consegue algo com as birras...
Enfim, vamos ver no que dá.
Beijinhos
P.S. As tuas crianças estão mesmo crescidas.. e giras...

Ana disse...

Eu aplico o 1,2,3 e até agora tem resultado.

Bala disse...

Lá em casa usamos a técnica do castigo sentado, até acalmar, e depois conversarmos sobre o sucedido.

Resulta, e é muito melhor do que chegar ao ponto de ruptura, em que (até) nós temos ataques de fúria.

Vou experimentar a técnica do "1,2,3".

Bjinhos

Mother_24 disse...

Acho que o meu maior problema é esse, não ser lá muito coerente, antigamente o meu puto com alguma conversa e tentar explicar o motivo de não poder fazer algo.
Ficava-se agora é que não. ainda só foi de castigo 2 vezes pró quarto e ficou lá nem 30 seg. tal foi a aflição...

jocas

Costinhas disse...

Rita, qual desculpa qual quê. Referiste duas coisas muito importantes que ficaram esquecidas quando escrevi o texto: a coerência, o dar a importância certa a cada caso e o do facto do castigo obedecer mais ao menos à regra do "minuto por ano de idade".

Para mim, o que disseste é fundamental até para os miúdos que não fazem grandes birras :)

beijos a todas

Mae Frenética disse...

Eu aplico a tecnica do castigo e de o por a contar ate 10: "que grande birra! respira fundo, vá, conta ate 10. Agora em ingles"
Assim, acho q consigo q ele desvie a atencao da birra.

Eu sento-o num sofa do quarto dele de castigo e funciona.

Fora de casa é q nao ha sofas, pois nao...

A Rainha disse...

Então aqui vai....

As crianças não se conseguem controlar sozinhas e precisam da nossa ajuda para aprender a faze-lo! Para isso existem muitos métodos e técnicas possiveis.

Quando eles começam com birras em que se agridem a eles ou aos pais, estão a dizer-nos que precisam de ajuda porque não estão a conseguir controlar-se! Para os ajudar, basta agarrar eles com força impedindo que eles consigam bater, e dizer, "eu estou a ajudar-te a aprenderes a controlar-te, depois vais conseguir fazer sozinho"!

Quanto ao 1,2,3 é muito eficáz porque dá tempo à criança para se organizar interiormente e fazer o que lhe pedem. Deve-se também, qd estão numa brincadeira, ir preparando a "saída" dizendo "mais 30 minutos e vamos embora".


É há mais... mas agora, estou com o Chico ao colo e ele já se está a passar!!!!!!!!!!!!

bjs

Lúcia disse...

Eu costumo fazer o mm desde ha muito e o bater so aconteceu pelos 2 anos, depois parou.

Bekas C. disse...

Mais uma adepta do 123!
;)

buggy disse...

oh pá, afinal fizeste publicidade enganosa! :P

eu também vou usando essas tácticas todas (a do 1, 2, 3 lembrei-me há poucos dias e tem resultado às mil maravilhas!!), mas mesmo assim o miúdo, quando tá com a telha, ainda se lembra de levantar a mão. ou de dar lanço ao pé. :-S
gajos!... :-PPPP

beijinhos

Dorushka disse...

A técnica do 1,2,3 também resulta cá pelos nossos lados. Já nem precisamos de avisar que vamos contar, basta dizer 1 ( com muita convicção!) e a cena acaba automaticamente.

Raca disse...

Mais uma vez um grande Obrigado!
Esta mensagem não podia ter chegado na melhor altura !

Belita disse...

Eu já uso a técnica do 1,2,3 há muito tempo, tanto que acho que ele agora está a querer quebrá-la, mais em público do que em casa, por que em casa o castigo que lhe dou dói, ficar sozinha num sítio sem brinquedos e sem nada para fazer é uma chatice!

Paula disse...

Eu já usava a técnica do 1,2,3 com o mais velho e claro que serve também para a mais nova é vai funcionando muito bem :)

ana disse...

Eu ainda não sou mãe e os "truques" de psicologia que aprendi com o curso e com a experiência de cuidar de imensas crianças de diferentes idades ao longo da minha vida, dizem-me que, de facto, não há regras universais. Há, isso sim, duas coisas muito importantes: a coerência e o auto-controlo dos pais/educadores.

A primeira já aqui foi falada. A segunda não é mais do que a capacidade que nós, adultos, temos de não nos descontrolarmos com as birras dos nossos miúdos. E isto aprende-se. Tal como eles aprendem a controlar as birras deles. Independentemente da idade - e a idade é importante sob o ponto de vista dos castigos dados e das reacções dos pais, a capacidade de cada pai em não se descabelar com a birra duma criança é fundamental. Berrar mais alto, bater, enervar-se, etc, só vai reforçar o descontrolo deles. É como dizer "tu não te consegues controlar e eu também não e por isso não sei ajudar-te". E eles sentem isso. Porque os miúdos funcionam num registo muito mais emocional do que racional.

Portanto, a haver uma regra de ouro é: respeitar as diferenças individuais de cada criança (que se conhecem por tentativa-erro e que mudam com o crescimento), auto-controlo e coerência.

Outra chamada de atenção: isto é tudo muito bonito mas é como diz a Sandra, quando eles nos apanham em finais de dia esgotantes e se "aproveitam" da nossa fragilidade para fazer uma birrinha, sabemos que nem sempre conseguimos ser auto-controlados e coerentes como gostaríamos. E aqui, uma ressalva para o sentimento de culpa que é algo tramado. Não tentem compensar as crianças só porque, como humanos que são, não conseguiram cumprir à risca aquilo que conversado aqui, numa altura tranquila, vos parece perfeitamente aceitável e fantástico.

Não faz mal se também nós perdermos a calma de vez em quando. Desde que esse não seja o hábito. Quando se aperceberem de que estão a perder o controlo - e apercebem-se! - basta respirar fundo, contar até 3 para vocês próprios e retomar a emissão, ;) No fim, quando estiverem a fazer as pazes, basta pedirem desculpa também. E assunto arrumado.

Costinhas disse...

Ana, outra coisa que me tinha esquecido de referir! O nós pedirmos também desculpa se perdermos a calma com eles!

Escrever estes textos a altas horas dá nisto, mas ainda bem que tenho aqui tanta gente querida pronta a ajudar :)

Concordo em absoluto mais uma vez.

Rainha, minha querida, espero que o nosso F. já tenha acalmado. Beijos e obrigada tb pelas tuas dicas tb tão importantes!

A todas... calma... muita calma é do que precisamos :p

Rita (a minha pequena lua) disse...

o primeiro comentário que aqui deixo... sou leitora assidua, embora nunca me tenha identificado ou deixado umas palavrinhas. adoro este canto. hoje não pude deixar de escrever que sou psicóloga educacional e que concordo 100% com as palavras que li aqui. uso as mesmas técnicas e dou por mim a dizer que a minha filha a nivel de birras está mt melhor do que já esteve. um 1,2,3 cá em casa tb funciona mt bem e o castigo, é sempre no chão do escritório, sentadinha, ela já sabe. acho fundamental o colo no final e esse reforço de lhes explicarmos o porquê do castigo, tendo sempre em conta que gostamos mt e sempre deles... quando a Joana (a minha filha) era mais pequenina, usava mtas vezes a técnica de: começa a birra vai para a caminha de grades pensar na vida dela, como lhe digo sempre... era 100% positivo... a cama de grades dá-lhes limites, tal como os nossos braços, o teu abraço... é, na minha opinião, mt importante que estes limites apareçam nas birras, e devem ser uns limites securizantes, lá está, a cama de grades é algo mt importante na vida da criança e os braços de uma mãe, então, nem se fala. de qualquer modo, eu sou de opinião que a psicologioa não funciona mt connosco mães, acho que o instinto é o nosso melhor amigo e cada uma de nós, melhor do que ninguém acaba por chegar lá... de qualquer modo, não podia deixar de dizer que me identifiquei praticamente 100% contigo... um beijinho e já agora, adoro as tuas fotos! caso queira fazer uma sessão de familia tu tiras? tens estudio? vais a casa? como é?

HOPE disse...

:)

Vou no bom caminho! Nas poucas birras que fez ficou sentado no corredor até se acalmar e depois fizemos as pazes. A técnica é a mesma e tem resultado.

Agora o 1, 2, 3... Bem tento, mas ele dá-lhe para gozar e continua a contar até ao 10... lol

rosinha_dos_limoes disse...

Ele faz-me lembrar a Marta em tanta coisa, os repentes, a dificuldade em se controlar ... mas pelo menos posso dizer que com o que andas a fazer a coisa vai melhorar, pelo menos com a Marta tem melhorado ;o) Não é perfeito (deconfio que nunca seja LOL quando chegar a adolescência quero ver!)

Carla O. disse...

Um sistema muito parecido com o que utilizei (e ainda utilizo quando necessário) com os meus, particularmente com ela, que foi quem mais birras fez. O 1,2,3 ainda uso com alguma frequência e para os dois - é eficaz também quando a obediência tarda ou as coisas estão algo descontroladas. O mais velho já sabe, por experiência, que se tenho que dizer o 3 é mau sinal.
Beijinhos:)