quinta-feira, maio 13, 2010

Por falar em dentes...

os mais antigos lembram-se com certeza do maldito dente que se partiu durante a gravidez do Miguel e que me deu que fazer até bastantes meses depois.

Além de me trucidar com dores, o dente contemplou-me com um dos momentos mais confrangedores da minha vida.

Estava eu muito bem na aldeia, quando o sacana do dente decide começar a doer de forma totalmente abrupta. Era manhã muito cedo, o Miguel tinha poucas semanas, o ben-u-ron nas doses máximas nada fazia e estava a quilómetros e quilómetros de qualquer ajuda.

De repente, lembro-me da prática da minha avó para resolver as dores de dentes dela: bochechar o dito com aguardente; e não espero nem mais um minuto. Pego num cálice, deito um pouco de aguardente, bochecho a boca com ele e saio para a rua para apanhar um pouco daquela brisa matinal e cuspir o líquido para o ribeiro em frente à casa.

Estou muito bem, a apreciar o alívio de tal tratamento quando, depois de ter cuspido a segunda dose, aparece a senhora mais intrometida da aldeia.

- Ai, a Sandrinha! Já estão cá? O paizinho também veio? E a mana? E esse bebé, acabou de nascer, não foi?

E toda eu era sorrisos, a tentar disfarçar o hálito a aguardente e o copo meio cheio na mão, o que se revelou uma missão sem sucesso pois os olhos dela bem que oscilavam entre as minhas mamas do tamanho de balões, o copo e os meus olhinhos de quem não dorme uma noite seguida sabe lá desde quando e passou as últimas horas acordada e agarrada ao dente ou com um filho agarrado às mamas.

Aposto o que quiserem que a minha fama ficou manchada a partir daquele encontro. Isso, ou ganhei uns pontos extra, que para a malta do Norte tem de se gostar de beber um copito para se ser boa gente.

Mas que a aguardente alivia a dor de dentes, isso sim, é um facto inquestionável.

15 comentários:

sbn disse...

loooooooooooooooooooooooooool

"é, chama-lhe dor de dentes, chama!" - pensou a senhora.
LOLOLOL!!!!!

:-DDD

Costinhas disse...

eu nem sequer tentei justificar nada... isso obrigava-me a ter de dizer muitas palavras e o bafo notava-se ainda mais :p

Mae Frenética disse...

A uma recém mãe tudo de se perdoa. Principalmente no norte.

(e, qq dia, dizes pq q é q hoje é um dia triste)

ESpeCiaLmente GaSPaS disse...

hehehe... apanhada em flagrante!

mim disse...

"que para a malta do Norte tem de se gostar de beber um copito para se ser boa gente"

olha que esta foi um bocado fora....

Costinhas disse...

olha que não mim, olha que não. especialmente no Norte interior :)

Mãe(q.b.) disse...

Pahahahahahaha
Opá tou aqui tou a imaginar a tua figurinha, até parece uma cena tirada duma comédia LOLOL
De rir!!!!
jocas

Helena Barreta disse...

Também experimentei a mesma receita, mas do alto da minha adolescência não me fiquei só por bochechar, bebi a aguardente que o meu pai dizia ser muito frouxa, mas a mim não me pareceu.

Um beijinho e bom fim de semana

sofia disse...

Lindo!!!!!

mim disse...

;) é o mal de tomar o todo pelas partes ;) é que eu conheço muito mais Norte que tu e em nenhum lado se pensa isso que escreveste.

Costinhas disse...

mim não querendo desconversar, isso de conheceres mais norte do que eu não sei se será verdade mas digamos que sim.

Quanto à frase é para ser lida sem ser à letra, como é óbvio. Além disso, faz parte dos costumes da maioria das aldeias - lá está, das que conheço - assim que chegar alguém de visita, apresentarem-lhe vinho, pão, presunto e outros enchidos. Recusar é muito complicado e raramente se consegue sair sem levar nada à boca.

Mas pronto... isso é só nas aldeias que eu conheço, claro.

sbn disse...

bem, eu vivo no Norte e é garantido: nas aldeias ali para os lados de Vila Real, há sempre chouricinho, broa e pinga para oferecer! :-)))

e mesmo aqui no litoral, nas grandes cidades, não varia muito: não há encontro de amigos que não meta barrigadas de comida da boa num qualquer restaurante escolhido a dedo ;)

mim disse...

eheh oferecem-te isso qdo chegas de visita pq acham que estás a precisar de alento ;) de qualquer forma, estava só a dar uma achega ao facto de teres generalizado. (e não, não conheces melhor o Norte que eu!! disso tenho a certeza absoluta).

Beijos
(não precisas chamar-me mim, podes dizer o meu nome, não há problema)

Kella disse...

Já tive um episódio semelhante, numa aldeia perto de VN de Poiares, na noite de passagem de ano, em que o dente do siso, encravado, resolveu descer e cortar-me a carne aflitiva e dolorosamente. Salvou-me a aguardente em que embebi vários algodões...às tantas já me escorregava pela garganta. Passou a dor e fiquei bem quentinha! do resto...não me lembro!!

Soph disse...

... isso e mastigar pauzinhos e cravinho! :)