quinta-feira, novembro 04, 2010

Quando...

escrevi isto, cheguei a ter um parágrafo sobre o quanto preferia que na escola "a sério" os currículos valorizassem mais a expressão e a criatividade de cada um em detrimento de uma normalização de pensamento motivada pela necessidade de criar um padrão de avaliação a nível global.

Que preferia que a escola não fosse tão semelhante a uma fábrica em que se moldam os adultos de amanhã todos pelas mesmas formas mesmo sabendo que nem todos serão médicos, engenheiros ou Cristianos Ronaldos. Que esta foi uma das principais razões por termos escolhido as escolas que escolhemos para eles, mas já sabendo que chegando ao 1º ciclo há muita coisa que não se pode simplesmente fazer como se desejaria (quer os pais, quer os próprios professores).

Que na primeira reunião do 2º ano, ao ouvir a professora de Expressão Plástica falar sobre o projecto curricular e de como iam aprender as várias técnicas replicando obras famosas pressupondo que fizessem justamente isso: uma cópia, eu fiquei desiludida ao contrário de outras mães que acharam o máximo. Talvez porque estou habituada a que no pré-escolar, na tal escola que "não é a sério" e que para muitos não carece de grande função educativa porque as crianças têm mais é que brincar, estou habituada a que eles peguem em obras famosas (ou livros como é o caso destes trabalhos) e os desconstruam, analisem, descubram mais sobre o autor e os seus trabalhos, e entrem na pele do artista explorando novas técnicas sem castrar a liberdade de expressão colectiva e individual.

Acabei por tirar porque achei que devia fazer um post separado com esta ideia e que o mais certo era não ser percebida e comprar uma luta para a qual ainda não tenho genica.

Mas depois abri o caderno P2 do Público e li a opinião de Ken Robinson.
«(...) O futuro depende da capacidade de inovar, criar novos tipos de emprego, novas oportunidades. É o que a China, Singapura, Hong Kong estão a fazer: investir na criatividade, na inovação, nas novas ideias. A criatividade permite desenvolver a imaginação, dá poder para pensar de maneira diferente. (...)»

Pronto, é isso. E agora sinto-me menos E.T.

17 comentários:

Ana Sofia Santos disse...

acho que com tantos miúdos (não sei quantos são) e as vezes por serem pequenos deve ser preciso simplificar, digo eu não sei :)
as pesquisas e tal não podem ser muito elaboradas, nem eles vão interiorizar .... a não ser alguém com muita queda pra coisa :)
mas se ela gostar depois pode ir pra uma ainda mais especifica

A mãe que capotou disse...

Até és capaz de ser ET, mas ha muitos la no planeta, até ando a pensar fazer um estudo demografico para melhor organização. Concordo contigo, mas também aceito que o programa é importante e a cultura escolar de massas seja essencial, sem a escola muito alunos nunca conheceriam certos pintores inspiradores. Agora, cabe aos pais contrabalançar o que a escola não da...
E do que conheço da China (de que faz parte HK, senhor Robison) é longe de ser um exemplo de criatividade, não nos deixemos iludir pelos prédios de Shangai...

Costinhas disse...

Claro mãe capotada, eu concordar com ele não significa que subscreva a 100% com o que diz. Além disso conhecer os pintores não se faz só aprendendo a fazer réplicas do seu trabalho. Porque não dar-lhes a hipótese de criar algo usando as técnicas e correntes de pensamento desse autor em particular?

E é óbvio, Ana, que tem de haver uma normalização, no entanto há espaço, ou tem de ser criado, para permitir às crianças alguma margem de criatividade. E pela experiência no ensino pré-escolar acredito piamente que isso é possível nos seguintes ciclos.

Agora que é preciso uma mudança na forma de pensar com a qual fomos programados anos e anos sem fim, ai isso é.

Bekas C. disse...

No ensino público é dificil os professores terem margem de manobra para grandes inovações... mas a maior parte nem grandes nem pequenas, não se estão para chatear.

A mãe que capotou disse...

Exacto. Copiar a obra na integralidade tera um resultado mais impressionante nas reuniões de pais, mas o conhecimento da obra e a utilização das técnicas seria muito mais interessante. O equilibrio entre o programa e a criatividade, o todo com prazer seria sempre o melhor. Ficou cientificamente provado (vou procurar a formula matematica) que se aprende melhor quando se esta a ter prazer, não são tretas de uma mãe extremosa, prometo.

rosinha_dos_limoes disse...

Não és a unica ET e o meu grande dilema é como contrabalançar a escola que normaliza (e não são só as públicas, na maioria das escolas privadas é o mesmo, só que com nomes mais pomposos e com mais festa até parece que não) com o ter na mesma um pensamento critico ... quantas vezes nós próprios quando damos por ela estamos a seguir um pensamento normalizado ou a impor às nossas crianças algo sem julgarmos aquilo que estamos a dizer? ... embora eu acho que não podemos ser mais papistas que o papa e que importa é nos darmos conta de que temos de melhorar alguns aspectos na nossa educação.
O dificil de ter uma escola que ensina o essencial e até alguma normalização mas que por outro lado deixe algum tempo e espaço para os deixar ser o que são, é que as próprias pessoas (adultos e até crianças, algumas já chegam lá formatadas e não sabem aceitar a diferença) já não sabem ser diferentes (afinal foram educadas neste mesmo metodo de formatar as mentes) ... eu mesma, sinto que queria ser diferente, mas sinto-me limitada nem sei porquê.
Deixo aqui um video que acho que vais gostar ... http://www.youtube.com/watch?v=zDZFcDGpL4U

Ana Sofia Santos disse...

eu falo por mim que dei o ano passado educação visual, não sei se era por estar onde estava, mas alguns alunos tinham ate falta de criatividade em coisas tão básicas, ficavam a espera dos exemplos que levava pra copiarem :) quando dizia que não era nada daquilo. ate lhe disse "vocês são crianças e as crianças são criativas e imaginativas", mas foi difícil.

Rita (a minha pequena lua) disse...

ela no pré está a usar exactamente a mesma técnica, mas lá está, eu não me preocupo tanto porque no pré, puxam pela criatividade de outra maneira e eles fazem obras de acordo com o querem, gostam e pensam, se não for na expressão plástica, é com a educadora que, por sinal, tem um jeitão para isso... e se conversares com ela? má pessoa não me pareceu, pelo contrário, na nossa reunião mostrou-se aberta a receber-nos, assim como também, a receber sugestões e críticas construtivas.

Costinhas disse...

Ana, é justamente por isso que a criatividade deve ser permanentemente estimulada e não é só nas artes. na matemática, por exemplo, a criatividade tem um papel fundamental.

Mãe M disse...

psst, muito, muito obg :) Já estive a corrijir e apaguei o teu coment. De qq forma, se quizeres reler a ver se ainda sobra defeito. E MTO, mas mesmo mto obg (fiquei pasma de, em 3 horinhas, ter um comentário qdo nem os costumo ter durante dias :))

Mãe M disse...

...e eu que me sinto tão negligente por não conseguir mudar o pré-escolar público da minha menina mais crescida onde tanto havia para fazer e tb n tenho mto como mudar. REsta mesmo a educação em casa q faço esforços para ser a melhor...

mdemae disse...

És tu e eu Amiga!
beijinhos!

Kakia disse...

Existem muitos ETs assim descansa, mas pelo que tenho visto as coisas têm estado a melhorar, muito devagarinho mas a melhorar no sentido de valorizar a criatividade. Cabe a nós pais também lutarmos por isso ;)

kombi disse...

qd li o post apetecia-me escrever "será que as crianças dos dias de hoje têm criatividade?", mas depois de ler os comentários ao post fica-me a ideia "será que as crianças querem ser estimuladas, seja a que nível for?"

as crianças querem é exiger e a seguir ter, querem que os pais paguem para que andem no futebol, mesmo qe não tenha jeito nenhum para a bola, mas o pai paga extras ao treinador só para o filho andar na escola XPTO, é só um exemplo ( como referis-te CR e é o sonho de qualquer rapaz, ou escrevo sonho os pais).

se não se nascer com o dom para algo não é com estimulo XPTO que se chega lá.

Ana disse...

Não li as opiniões acima mas sei que este é tema para dar pano para muitas mangas. É um tema que, para mim, é muito caro mas é uma luta que eu já comprei há alguns anos, desde que resolvi começar a trabalhar com bebés e crianças. Não sou professora e enquanto psicóloga essa função, dessa forma, não me compete. Mas conheço a realidade das escolas, conheço a profissão de professor, as limitações e as potencialidades e não acredito nem subscrevo o discurso das barreiras que a escola pública tem à estimulação da imaginação e da criatividade. Não são precisos muitos mais recursos além das competências dos professores e de quem dirije um estabelecimento de ensino. E estas competências não vêm necessariamente da formação académica. Não é preciso dinheiro por aí além mas sim saber gastar convenientemento o que se tem à disposição.

No exemplo que deste, da copia das obras, o que está errado é o principio. E é isso que é lamentável. Isso e o deslumbramento das pessoas pelo simples facto de se tratar de um conteúdo aparentemente diferente. Porque também elas estão formadas para viver dentro do quadrado quando na realidade, se se experimentar saltar para fora dele, o mundo e a vida são muito mais interessantes! E, mais do que esta visão poética (que eu tenho) fora do quadrado é que está, tantas vezes, a solução para todos os nossos problemas. Encontramo-las tão rapidamente quanto mais tivermos sido treinados para isso, desde que nascemos.

Mae Frenética disse...

Eu concordo ctgo a 100%. Até te digo mais, sendo eu uma mulher das ciencias exactas, apanhei-me feliz da vida por ver q a educadora do mais velho está a trabalhar a História, a Filosofia (de uma forma mto leve, OK?), o Português.
Obriga-os a pensar. A criar por eles.
É preciso conhecer o passado para entender o presente e criar o futuro.

Costinhas disse...

para mim as aulas de Filosofia foram uma revelação na minha vida :)

Ajudaram-me a por os pensamentos em linha e a solidificar as minhas (des)crenças.

Ana e Fren, é isso sim.

Precisamos de cabecinhas pensadoras capazes de sair fora do quadrado.

Em todas as áreas!