quinta-feira, setembro 06, 2012

Sobre o quadro de comportamento...



Esta foto é do primeiro quadro que lhe fiz. Na altura ele fez um disparate que (para nós) foi tão grave que a primeira coisa que me saiu da boca é que estava de castigo um mês, o que é um verdadeiro exagero para uma criança que tinha cinco anos na altura.

Logo a seguir ao castigo e depois dele estar mais calmo, levei-o comigo para fazer o quadro que colei no meu escritório. Tirei uma folha A4 normalíssima da impressora, peguei na caneta que estava mais à mão e tracei uma tabela de cinco por seis onde apontei o dia do mês respetivo, ao mesmo tempo que lhe explicava o objetivo e as regras: cada quadrado correspondia a um dia do castigo que, conforme iam passando, eram marcados com uma cruz para haver uma noção visual do tempo, e, combinámos que se ele conseguisse chegar a metade do tempo sem se portar mal lhe retiraríamos o castigo.

Nessa altura, lembrei-me de pedir a opinião à minha querida Rita dos baguinhos e ela deu-me umas dicas valiosas sobre os pormenores que podem fazer a diferença, como por exemplo:
-  a importância de o incluir no preenchimento do quadro - e foi por isso que no primeiro quadro, no lugar das cruzes surgiram autocolantes personalizados por ele;
- a valorização do bom comportamento premiando-o pelo mesmo - coisa que eu achava que não seria correta pois pensava que o bom comportamento devia ser tomado como norma e que a norma não devia ser premiada (com algo mais que elogios, entenda-se);
 - o agir no imediato - ou seja, se ele num dia se portar menos bem é nesse dia que se deve aplicar o castigo combinado;
 - ajudá-lo a deitar cá para fora o que o levou a portar-se dessa maneira - isto foi uma coisa que sempre fizemos com ambos. Depois de cada momento menos bom, e depois de estarem mais calmos, conversamos sobre o que se passou, o que eles sentiram e explicamos porque é que esse tipo de comportamento nos magoa, não de forma física mas no coração de mãe/pai;
- ter as rotinas mais definidas no dia-a-dia ajudam a controlar essa impulsividade - não significando isso que não haja lugar para a quebra de rotinas, de preferência no fim-de-semana; e,
- a importância do pai e da necessidade de existirem momentos e projetos só deles os dois.

Com estes conselhos, adaptámos o quadro ainda mais à nossa realidade e é esta possibilidade, a de fácil adaptação às necessidades e realidades de cada um num determinado momento, que é para mim uma das maiores vantagens deste método, além de que é eficaz e simples de seguir.

Os quadros que fizemos a partir daí nunca foram exatamente iguais, nem os castigos ou os prémios, e, confesso, estes últimos dependem muito do que nos ocorre e do que é possível fazer no momento (ie, se estamos de férias não podemos agir da mesma forma que agiríamos se estivéssemos em casa, por exemplo) no entanto, a base de partida é sempre a mesma.

Basicamente é isto. Se tiverem dúvidas ou questões, avancem que eu posso ter saltado alguma parte importante e nem me ter apercebido.

11 comentários:

Rainha disse...

É na altura de castigar que mais dificuldades sinto. Dica sempre a dúvida se será adequado ou se surtirá o efeito desejado... As tuas dicas são uma ajuda.

Ana disse...

As maravilhas da psicologia aplicada ao desenvolvimento infantil. :)))))))

Costinhas disse...

Ana, que tal? parece-te bem certo? :)

Rainha, eu tento que os castigos sejam proporcionais à asneira e têm de ser verdadeiramente castigos ou seja, têm de retirar um privilégio ou algo que eles gostem e de que sintam mesmo a falta.

Manter a calma, a convicção, não nos deixarmos intimidar por ameaças que eles tentem, e, cumprir o que se diz, é o que faz a diferença na minha opinião, e além disso, na minha experiência, dói-nos tanto a nós como a eles esse castigo mas se for realmente aplicado e tivermos a tal conversa, nas próximas vezes basta a ameaça do castigo para os fazer parar.

Luna disse...

ora aqui um assunto que me interessa bastante, meu mais velho anda feitio terrivel improprio para idade. Ainda hoje fez-me uma cena dentro de uma loja, confesso se tivesse um buraco tinha enfiado lá dentro.
paletes de paciência! meu nem os castigos resultam.
bjos

Helena disse...

E em relação aos prémios o que costumam ser? Jogar um jogo que gostem, ir dar um passeio, coisas deste género?

Rita disse...

É mesmo uma questão de paciência e coerência :)

Costinhas disse...

Luna, os castigos resultam. Podem estar é a optar pelos menos certos para ele.

Pensem naquilo que ele mais gosta, no que ele mais preza. Castigar por castigar, ou não escolher castigos que sejam imediatamente aplicáveis ou que se tornem mais penosos para nós do que para eles levando-nos a esquecer do mesmo não leva a lado nenhum.

Helena, pois os prémios são justamente desse tipo. Ele adora que façamos coisas com ele, que vamos brincar para a rua, montar puzzles, jogar raquetes, ir ao skatepark, etc. por isso e para não lhe alimentar a veia consumista, o prémio costuma ser qq atividade escolhida por ele.

Isso não quer dizer que já não tenhamos combinado com ele que se ele conseguisse algo que lhe é extremamente difícil que lhe oferecíamos um mimo que ele andasse a dizer há muito tempo que gostava de ter, mas é raro.

Ana disse...

Parece-me perfeito! E aqui, o "segredo" do sucesso passa por duas coisas que no fundo é uma só: envolvê-lo(s) na coisa. O quadro deve ser feito com eles, no sentido em que eles devem conhecer as regras/instruções (tal e qual como se fosse um jogo, os castigos e os prémios devem ser adequados a eles. Ao que gostam e ao que não gostam. Por isso é que os mesmos castigos não resultam com todas as crianças. A consequência deve ser tão mais imediata quanto mais nova for a criança (aos 6 anos, por exemplo, o castigo pode ser não ver desenhos animados ao final do dia se a asneirada foi de manhã). Aos 6/9 meses, por exemplo, um bebé saudável compreende o sentido do "não!" e da cara feia que a mãe/pai/pessoa que cuida fazem quando ele faz algo que não deve. E é exactamente aí que se começa. Não é aos 3 ou 4 anos quando ele já estão "insuportáveis e respondões" :p

Costinhas disse...

A tua última frase é tudo Ana... tudo! E não podia concordar mais com ela.

S. disse...

Olá Sandra!

Eu confesso que fiquei com algumas dúvidas... Se calhar não li o post com atenção. O quadro é preenchido todos os dias? Ou seja, todos os dias ele faz um autocolante de acordo com o seu comportamento? Se se portar "mal" tem um castigo num dia que depois é "retirado" se ele estiver mais dias sem se portar mal? Se o castigo for não ver televisão nesse dia, é um castigo "de cumprimento imediato", logo não podemos retirá-lo! Nesse caso compensamos com um prémio?... Acho a ideia do quadro genial e vou aplicar lá em casa! Obrigada! Bjs, Sandra

Sofia disse...

Obrigada Sandra e Ana pelas dicas. Nós já fazemos um quadro idêntico, vou por em prática mais algumas dicas :)
Obrigada pela atenção.

Beijinhos
Sofia