A miúda não conseguia adormecer com tanta comichão na perna. Fomos ver e tinha uma das pernas num estado lastimável. Sem saber o que lhe havia de colocar nesta situação em particular impunha-se que fosse vista por um médico e já depois das dez da noite saiu mais o pai direitos ao CATUS. Chegados lá apenas uma porta fechada com a indicação de quem precisasse se dirigisse a uma urgência hospitalar. Pesados os prós e os contras, lá foram os dois direitos à Estefânia e a uma urgência apinhada de crianças doentes. Voltaram para casa e amanhã um de nós vai ter de perder no mínimo a manhã de trabalho para tentar que seja atendida pela médica de família.
Já vínhamos a ser empurrados sem dó nem piedade para os seguros e serviços privados de saúde, mas neste momento é flagrante e isso só me faz aumentar o asco que sinto pela nossa classe política e seus compadres.
O facto de grandes empresas procurarem alternativas noutros países que lhes dão mais garantias eu compreendo e não me incomoda em nada. Agora, o que se está a passar na saúde é vergonhoso. O que se preparam para fazer nos transportes públicos, idem. E no mercado de trabalho tanto publico como privado, é o mais puro desrespeito pelos trabalhadores.
E nós calamos e consentimos e a maioria ainda volta a colocar nos lugares de decisão quem nos roubou e abusou da nossa confiança, ou, pior ainda, calam-se quando a sua voz faria realmente diferença para agora andar a gritar em manifs e facebooks a sua indignação.