domingo, setembro 30, 2007

Acabados...

de chegar de uma festa de anos, farta em comida, e depois da história e de beber o leite da praxe (uns 300ml mais coisa menos coisa) chega a hora de se ir deitar. pai - vá agora vais para a caminha. ela - não! eu estou cheia de fome! pai - fome? o que é que queres comer? ela - massinha com carne! Devo ter trazido a miúda errada da festa é que só pode!

E ele...

também aprende coisas novas. Agora foi a seleccionar o que quer comer. Se está a comer sozinho, dá a volta ao prato de forma a deixar o que não lhe apetece. Se estamos nós a dar, cerra a boca e deixa apenas escapar um não-não pela boquinha em bico com um olhar decidido. É ele a escolher a comida, é ela a reinvidicar o direito de não ir a uma festa de anos com a gente para ficar com as amigas, é ele a escolher os sapatos, é ela a combinar a mala com a roupa. Estamos tramados.

Se houve brinquedo...

bem comprado, o quadro magnético foi um deles. Deixa-se estar tempos perdidos, a desenhar e a inventar que escreve histórias com bolas abertas e fechadas todas alinhadas em linhas horizontais imaginárias.

Quando aprendeu a desenhar o nome dela, repetia-o exaustivamente. Na verdade, a escrita, mais ou menos inventada, sempre a puxou mais que o desenho.

Ontem depois de ter escrito o nome dela, pede-me para dizer as letras do meu nome. Escreveu-as uma a uma, apenas com dúvida no "R". Depois pediu-me para escrever o nome do pai. Limpei o quadro e escrevi-lhe o nome para ela copiar (a ver se assim sempre se entretinha durante um bocado e eu podia ver o E.R. sem perder o espanto do Carter a saber que ia ser pai). Copiou as letras uma a uma, sem hesitar.

Daqui a quinze dias faz quatro anos. Quatro anos. Tantos anos. Acho que não estou preparada.

sábado, setembro 29, 2007

Hoje...

ela passou a tarde com a S. e a M. Quando a fui buscar, a avó das amigas confessa-me: a sua filha fala pelos cotovelos! Mas é que não estou a ver semelhanças com ninguém. Juro que não estou!

Quentes e boas...

o pai está a contar-lhe a história no sofá, para depois beber o leite e ir para a caminha. Eu vou os ouvindo de longe, quando de repente: pai - (...) e depois despistou-se. ela - como a mamã! a minha filha é uma querida... é é... [e tenho de admitir que ele tem uma paciência ainda maior que a minha para lhe contar as histórias antes de ir para a cama. conta-lhe quantas ela peça, mesmo que sejam das "grandes"]

sexta-feira, setembro 28, 2007

Aos 32 anos...

ainda nos podemos sentir a crescer?

E de madrugada...

- pai... pai.. e em vez do pai fui eu, pensando que era ela. Era ele - mas como pode ser ele se o pai foi tão perfeito, tão de menino crescido? - a um metro do colchão a querer regressar à cama sem conseguir. Pego nele, sussurro um shhh, e ele abraça-me o pescoço, num abraço tão apertado que me tira o fôlego por inundar o coração. Obrigada filho.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Sou feita...

de portas abertas. Escancaradas. Que deixam entrar o ar e a luz do dia mas que mantêm os cantos mergulhados em sombras. Incapazes de serem partilhados. Ditos.

Até um dia. Em que a porta começa lentamente a fechar-se. Terá sido o vento? E o ângulo é cada vez mais agudo. Serei eu que a estou a fechar sem dar por isso? O interior cada vez mais sombra. Ou quem foi? A vontade de a fechar que aumenta. Queima. Mas a incapacidade mantém-se. E vive-se assim com a porta entreaberta. Insatisfeito.

Fecha a porta, fecha a porta.

Eu quero. Mas não sou capaz. E tenho pena.

17 meses (e dois dias)...

E a única coisa que me ocorre registar é que estás um autêntico papagaio!

Eu estou a gostar muito...

do curso. Estou mesmo. Sinto que estou a começar a dar pequenos passos numa área que sempre me disse muito. Que finalmente estou a autorizada a usar algum do meu tempo sem pressões para fazer o que gosto. Sabe-me bem, mesmo com as pernas doridas de tanto andar, sair do trabalho e no tempo que me sobra até me enfiar na sala de aula, percorrer as ruas de Lisboa e descobrir sítios a que nunca fui. Mas sinto-lhes a falta. Sinto a falta do os ver acordados, de brincar com eles, de dançar feitos tontos na sala desarrumada. A roupa amontoa-se, a desarrumação perdura, e eles dormem. Dormem um sono solto quando eu finalmente chego até eles. E mais umas horas ao computador, guarda esta, apaga aquela, selecciona outra ainda. E é tarde. O corpo ressente-se e a casa perde o viço. Os miúdos continuam miúdos, divertidos e a crescer, mas eu é que não os estou a ver miúdos, divertidos e a crescer. O frigorífico vazio. O meu leite que acabou há uma semana e eu que não posso sair de casa de manhã sem o beber. Deitar-me sem o meu leite quentinho. O corpo está cansado, a mente sente-se desafiada, o coração sente-se sozinho. Estou a gostar muito. Estou, a sério que estou. Mas sinto-lhes a falta.