ontem de manhã chegámos a despedirmo-nos dele. Deixou de ter vontade de comer e beber, e não segurava nada dentro do estômago. Explicámos aos miúdos o que iria acontecer e que provavelmente ele já não voltava connosco da veterinária.
Saímos de coração partido e o caminho fez-se em silêncio. Mas à boa maneira dele, surpreendeu-nos e voltou connosco.
A veterinária, gostou de ver que ele tinha desinchado quase totalmente e nem pensou em desistir. Deu-lhe medicação para lhe parar os vómitos e acalmar o coração descompassado com tanto tratamento em tão poucos dias, e, voltámos para casa os três na esperança de lhe recuperar o apetite.
Até hoje ainda não conseguimos que voltasse a querer comer sozinho. Comeu a carne picada e o mel que lhe enfiamos garganta abaixo e bebeu a água que me lambia da mão (recusava beber de onde fosse a não ser da nossa mão). Está mais abatido como é expectável, mas curiosamente, hoje achei-o mais reactivo aos sons e aos nossos chamados (por levantar as orelhas e olhar na direcção do som, pois quase não tem força para se levantar e deitar).
Os últimos três dias foram passados sempre junto dele. O cinema no sábado e o dia de volta dos tachos no domingo foram tentativas de respirar e entreter os miúdos. Ontem foi a casa que saiu a ganhar com a nossa necessidade de nos mantermos ocupados.
Não consegui fazer absolutamente nada do trabalho. Não me consigo concentrar e não tenho paciência para comentários do género "mas é só um cão", por isso, para os que pensam assim, pensem no vosso melhor amigo. Naquele mais leal que daria a vida por vocês se preciso fosse. Se tiverem a sorte de ter um assim, voltem a ler o desenrolar desta história com o nome dele como protagonista. Dói? Pois é assim que me dói a mim. Se não dói... pobres amigos.
As próximas horas deverão ser decisivas e eu não me conformo por ter de estar aqui e não com ele.
12:13 - A decisão foi tomada. É tudo o que consigo dizer.